Sérgio Dávila: Bush deixa para Obama país com duas guerras e recessão profunda
da Folha Online
George W. Bush assumiu a Casa Branca em janeiro de 2001, depois de uma disputa judicial que acabou resultando em sua vitória sobre o democrata Al Gore. A decisão da Suprema Corte, favorável a Bush, é motivo de discussão até hoje.
Neste videocast, o correspondente da Folha Sérgio Dávila diz que após assumir a presidência Bush passou os oito meses seguintes mais tempo em férias em seu rancho em Crawford, no Texas (EUA), do que em Washington.
Bush deixa para Obama país com guerras e recessão
"Tudo caminhava para ser uma presidência de um mandato só, em que ele não faria marola e os americanos fingiriam que não ligavam para o fato de ele não ser preparado para o cargo", declara o jornalista.
Isto mudou com o 11 de Setembro. O maior ataque terrorista da história dos Estados Unidos definiu George W. Bush e redefiniu as relações internacionais do mundo inteiro. De posse de um saldo médio de boa vontade internacional similar ao de Barack Obama hoje, afirma Dávila, Bush invadiu o Afeganistão.
"Era a 'boa guerra' que derrubaria o Taleban e capturaria Osama Bin Laden. O problema é que o coração de Bush já estava no Iraque", diz o jornalista.
Em março de 2003, os EUA entraram naquele país, derrubaram o regime de Saddam Hussein, e assim se iniciou a longa escalada do 43º presidente norte-americano rumo ao atual recorde de popularidade negativa.
A "má guerra" e os desmandos em torno dela arranharam a imagem do país no mundo de uma maneira que surpreendeu mesmo os analistas mais céticos. Além disso, desviaram o foco do verdadeiro palco de ação, o Afeganistão, onde Osama Bin Laden continua livre e o Taleban volta lentamente a dar as cartas, segundo Dávila.
No ano de 2006, a falta de regulação e o excesso de crédito fácil iniciaram o derretimento do sistema financeiro norte-americano, que acabaria por contaminar as economias do mundo inteiro. Dois anos depois, Wall Street tal não existe mais. Ninguém --nem Obama-- sabe o que virá no lugar.
"Bush assumiu um país em paz e com superávit. Deixa-o ao seu sucessor com duas guerras em andamento e recessão profunda. Volta para o Texas, onde dividirá seu tempo entre uma casa em Dallas e seu rancho em Crawford. Rancho de onde, segundo muita gente boa, ele nunca deveria ter saído", avalia Dávila.
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