Videocast
23/01/2009 - 14h01

Diretas-Já tinha mudança do regime como pano de fundo, diz Genoino

da Folha Online

"A gente viveu intensamente aquele processo e achava que a emenda seria aprovada. A maioria da população era a favor dela, pois o pano de fundo era a mudança do regime. Era um ambiente tenso e radicalizado. Quando a emenda não foi aprovada, houve um clima de consternação e de tristeza."

Veja, neste videocast, entrevista com o deputado federal José Genoino (PT). Ele diz que a campanha das Diretas-Já foi o maior movimento popular de rua pós-ditadura.

Diretas-já

Genoino diz que dois eventos marcaram a consolidação do processo democrático do país. Um deles foi a Assembleia Nacional Constituinte. Outro, com início há 25 anos, foi o movimento pelas Diretas-Já (1983), que arrastou uma multidão de pessoas para as ruas.

Segundo o deputado, o movimento pelas Diretas-Já foi o ápice de um processo que teve seu início no final da década de 70, com a possibilidade de mudar o regime militar no Brasil, em que o país inteiro se envolveu.

Genoino lembra de comentário do ex-presidente Tancredo Neves, quando esteve no Rio de Janeiro, local onde estavam aglomeradas mais de um milhão de pessoas. O ex-presidente achava que o povo não caberia dentro do Congresso Nacional, caso a emenda Dante de Oliveira, que instituía eleições direita para presidente, não fosse aprovada.

O deputado fala que no momento em que a emenda foi rejeitada, as pessoas se abraçaram e choraram. "Era uma derrota. E ainda havia um grande problema: como é que as 'ruas' iriam reagir? Principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro."

Reeleição

Genoino diz que foi contra a reeleição do Fernando Henrique Cardoso. "Não se deve mudar as regras durante o jogo. Eu sou contra qualquer tipo de terceiro mandato".

O deputado considera que a reforma política não deve ser realizada com o objetivo de alterar o prazo do mandato do presidente, e nem tratar de reeleição. "Deve sim ser discutida a fidelidade partidária, o financiamento público, a questão de não ter aliança na eleição proporcional e o papel da Câmara e do Senado".

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