Igor Gielow: Caso Battisti entra em nova etapa
da Folha Online
O caso Cesare Battisti acaba de entrar em uma nova etapa, na qual o governo da Itália quer que o STF (Supremo Tribunal Federal) do Brasil reveja o mérito da decisão de extraditar o terrorista de esquerda, enfrentando assim a decisão política do ministro Tarso Genro (Justiça) de conceder refúgio político a ele.
Igor Gielow, secretário de Redação da Sucursal de Brasília da Folha, comenta neste videocast a trajetória do caso Battisti, que começou no dia 13 deste mês. Ex-militante de um grupo chamado PAC (Proletários Armados para o Comunismo), o italiano foi condenado à prisão perpétua em seu país --em 1978 e 1979-- como autor ou coautor de quatro homicídios. Ele nega que tenha cometido os assassinatos.
O caso Cesare Battisti acaba de entrar em uma nova etapa
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Battisti morava na França, que permitia a presença de terroristas de esquerda condenados em outros países nos anos de governo socialista. Quando a norma foi mudada, a partir de decisão da Corte Europeia de Direitos Humanos, Battisti fugiu para o Brasil. Acabou preso por não ter documentos legais e a Itália pediu sua extradição. O processo foi julgado procedente no Conselho Nacional de Refugiados, que entendeu que os crimes de Battisti foram comuns.
"Aí, Tarso, um militante histórico de esquerda, decidiu que ele podia ficar, baseado na lei, que dá ao ministro da Justiça essa prerrogativa. O incidente abriu crise diplomática com a Itália, que considerou a decisão de Tarso inepta do ponto de vista jurídico e recorreu ao Supremo. Além disso, o governo italiano chamou de volta seu embaixador aqui em Brasília, o que significa um grave gesto de desagrado com a decisão de Tarso", explica Gielow.
De acordo com o jornalista, o STF resolveu analisar o caso e pediu um parecer à Procuradoria Geral da República sobre a legalidade do ato de Tarso. O presidente Lula entrou na discussão no ataque, defendendo o que chamou de uma decisão soberana brasileira. No momento, porém, espera o desenrolar dos fatos.
"Tarso nega que sua decisão seja política, embora isso seja notório quando se é confrontado com o fato de que todas as instâncias judiciais europeias entenderam que Battisti era um criminoso comum, e não um perseguido político", declara Gielow
Os advogados de Battisti, e seus amigos no PT, dizem que ele não teve amplo direito de se defender, o que não é o entendimento da Corte Europeia. "A bola agora está com o Supremo, que se decidir analisar a natureza do crime de Battisti e apoiar a extradição, vai abrir um conflito grave com o Lula, que é quem tem a última palavra no caso", conclui o jornalista.
Entrevista
| 19.mar.07/Eraldo Peres/AP |
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| "Eu nunca matei ninguém", afirmou Cesare Battisti, em entrevista à revista "IstoÉ" |
Em entrevista à revista "IstoÉ", Battisti afirma nunca ter matado ninguém e diz não acreditar no que está acontecendo.
"Eu, sinceramente, não acredito que tudo isso esteja acontecendo. É enorme, é exagerado. Eu não sou essa pessoa tão importante. Sou um dos milhares de militantes italianos dos anos 1970. Sou um das centenas de militantes que se refugiaram no mundo inteiro, fugindo dos anos de chumbo da Itália. Por que tudo isso comigo?", questiona o ex-ativista na entrevista.
O italiano diz ainda que a decisão de Tarso é bem fundamentada. "Ele analisou todos os documentos. Não foi uma leitura superficial. E a perseguição política está provada nos documentos. Acho que o gesto do ministro Genro foi de coragem e de humanidade. A decisão é muito importante não só para mim, Cesare Battisti, mas para a humanidade."
Na entrevista, Battisti afirma nunca ter matado ninguém. "Eu nunca matei ninguém. Eu nunca fui um militante militar em nenhuma organização. Nem na Frente Ampla nem nos PAC, onde fiquei dois anos, entre 1976 e 1978."
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