Videocast
09/02/2009 - 15h45

Republicanos rejeitam receber presos de Guantánamo

da Folha Online

Além da crise econômica, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, enfrenta atualmente outro "teste de fogo" com os planos de desativar a base militar norte-americana na baia de Guantánamo, em Cuba. Na última sexta-feira (6), ele se reuniu com parentes de vítimas de atentados para explicar que o fechamento da prisão "tornará mais seguro" o país.

Neste videocast, a correspondente da Folha em Nova York, Andrea Murta, diz que, enquanto há poucas dúvidas de que a existência do local --que abriga hoje 245 suspeitos de terrorismo-- prejudique a imagem dos EUA e também a sua capacidade de angariar cooperação internacional, existe uma forte corrente de críticos que questiona as alternativas da base.

Base militar norte-americana em Guantánamo

"Por um lado, eles temem que os prisioneiros libertados, depois que a prisão fechar, apresentem um perigo à Segurança Nacional, principalmente depois que um ex-detido [o saudita Abd al Rahim al Nashiri] virou vice-líder rede terrorista da Al Qaeda", relata Murta.

Nashiri estava detido acusado de participar do atentado contra o destróier americano USS Cole no porto de Áden, no Iêmen, em 12 de outubro de 2000, que matou 17 marinheiros americanos. Todas as acusações feitas contra o saudita foram retiradas na quinta-feira (5) por ordem da juíza militar Susan Crawford, informou o Pentágono.

Outra questão que Obama terá que resolver é quanto ao destino dos presos. Muitos congressistas do país --principalmente republicanos-- são contra receber suspeitos de terrorismo em prisões federais em seus distritos, o que seria complicado politicamente, de acordo com a jornalista.

Na Europa, alguns países sondados para abrigar os detidos --como Áustria e Holanda-- se recusaram a colaborar. Outros estão divididos, como a Alemanha.

O presidente dos Estados Unidos ordenou a suspensão dos julgamentos de detidos em Guantánamo por 120 dias, porém, ainda não criou um quadro legal alternativo às comissões militares do governo de George W. Bush (2001-2009).

"Simplesmente transferir julgamentos para tribunais federais pode ser impossível. As formas como as comissões militares lidavam com provas e testemunhas, até aceitando confissões sobre coerção, por exemplo, não serão aceitas em cortes normais", declara Murta.

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