Brasileiros voltam desempregados do Japão por causa da crise; veja
da Folha Online
Estima-se que existam 320 mil decasséguis (brasileiros descendentes de japoneses) vivendo atualmente no Japão. Após 19 anos de intensa imigração, o país enfrenta sua maior queda do PIB em 34 anos e que resultou no fechamento de 65 mil vagas de trabalho.
Morando no Japão desde 1990, Akio Sato é mais um imigrante que precisou retornar para o Brasil. Ele diz que os efeitos da crise já puderam ser notados no final do ano passado, quando foram feito cortes das horas extras. Até que a situação se normalize, Sato permanece em São Paulo e fala, neste videocast, sobre seu retorno.
Sato chegou no Brasil em novembro, após ser demitido de uma empresa de metalurgia, na qual trabalhava havia três anos. Sobre o país, o decasségui disse que, após 19 anos, tudo está diferente. "Eu me acostumei a viver no Japão e voltaria para lá, caso existisse uma nova oportunidade. Eu agora estranho morar aqui", afirma.
Se não bastasse a demissão, Sato agora convive com a distância de dois de seus três filhos, que permaneceram no Japão. "Meu filho e minha filha não voltaram, mas ambos estão desempregados. Eles ficaram pois estão recebendo o seguro-desemprego."
Já Sato, que disse nunca ter pago pelo benefício por não valer a pena, retornou por falta de sustento. "Não tinha mais onde trabalhar."
Embaixada
A segunda maior economia do mundo criou um pacote emergencial para "retorno harmonioso" de decasséguis.
Em carta ao governo brasileiro, o embaixador do Japão em Brasília, Ken Shimanouchi, admite a "situação de extrema dificuldade em vários aspectos, como desemprego e educação dos filhos, pela qual passam os nipo-brasileiros residentes no Japão".
Desde o agravamento da crise, houve protestos de decasséguis em cidades japonesas.