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21/03/2011 - 09h39

Ter peitinhos é o pesadelo de 65% dos meninos de 14 e 15 anos

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DIOGO BERCITO
DE SÃO PAULO

Há cinco anos, o mineiro Henrique Ribeiro, 21, não jogava futebol no time dos sem camisa. Natação, para o rapaz, só em casa. Assim, ele tentava evitar o apelido que ganhou na escola: Tetas.

A piada era por conta do volume a mais que exibia no tórax. Henrique tinha ginecomastia, aumento da glândula mamária em garotos.

Ele deu fim ao despeito em fevereiro com uma medida radical: retirou as mamas.

Assim, contribuiu para o aumento na procura pela operação. Consultórios procurados pela Folha estimam crescimento de até 50% durante os dois últimos anos.

"Eu evitava tirar a camiseta em público. Depois de fazer a cirurgia, tenho uma vida sem receios ou vergonhas", conta Max Duarte, 21.

A ginecomastia em jovens é causada por desequilíbrio hormonal na puberdade. Pesquisas projetam que 65% dos jovens apresentam algum grau de crescimento da mama entre 14 e 15 anos.

A indicação da cirurgia para adolescentes, porém, é controversa entre médicos.

"Não há por que deixar os garotos sofrendo", aponta o cirurgião André Colaneri.

Como 75% dos casos de ginecomastia regridem sem intervenção nos anos seguintes, há quem recomende apenas paciência.

"Se você explicar isso para o garoto, ele aguardará", afirma José Roberto Filassi, chefe da mastologia (que estuda as glândulas mamárias) do Hospital das Clínicas.

Tiago Gutierrez, 17, esperou. Antes de descobrir o que era ginecomastia, ele achava que o "peitinho" tivesse origem no sobrepeso. Fez regime, mas não resolveu.

Ele operou no mês passado. "Eu era diferente dos meus amigos, tinha vergonha até de ir à praia."

Também envergonhado diante das mamas crescidas, Lucas Nunes, 19, procurou explicações na internet. "Eu achava que era uma coisa rara, que só eu tinha", diz.

Ele foi ao médico há oito meses. Operou em fevereiro.

Como há pesquisas que sugerem relação entre ginecomastia e câncer de mama, a cirurgia pode ser sugerida como medida de prevenção.

"Mas essa opção tem de ser ponderada", diz o cirurgião Walter Zamarian Júnior. Afinal, a cirurgia, que envolve corte na pele e retirada da glândula, não é necessária para todos os casos.

Além do desequilíbrio hormonal, a ginecomastia pode ser causada pelo uso de drogas, tanto lícitas quanto ilícitas. Entre os vilões estão os anabolizantes e a maconha, apontados como responsáveis parciais pelo aumento no número de cirurgias.

Há também os casos de ginecomastia motivados pela obesidade. José (nome fictício), 21, está dez quilos acima do peso e, há um ano, percebeu que o peito esquerdo está crescendo e dói. "Se eu apertar, sai um líquido branco", diz o rapaz, preocupado.

Ele recebeu o diagnóstico de ginecomastia recentemente, em hospital público, e quer passar pela cirurgia.

Consultar um especialista é, no entanto, essencial.

Claudio Vitor Vaz/Folhapress
BELO HORIZONTE, MG, BRASIL, 28-02-2011, 18:00h: Retrato de Henrique Ribeiro, que fez uma cirurgia de ginecomastia (crescimento das mamas). Ele operou recentemente, depois de 6 anos evitando tirar a camiseta em público. (Foto: Claudio Vitor Vaz/Folhapress, FOLHATEEN) ***EXCLUSIVO FOLHA***
Antes de operar, Henrique passou seis anos sem tirar a camiseta em público
Editoria de Arte / Folhapress/Editoria de Arte / Folhapress
Peitinho
 
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