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17/07/2010 - 07h00

Especialista em cavernas dá dicas aos exploradores

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CRISTIANE CAPUCHINHO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Clayton F. Lino/Divulgação
Salão Taquêupa, caverna Santana, no Petar
Salão Taquêupa, caverna Santana, no Petar, parque estadual de que Clayton Ferreira Lino foi o primeiro diretor

O espeleólogo e fotógrafo Clayton Ferreira Lino, 57, nasceu em Franca (oeste de São Paulo). Aos 19 anos, conheceu um grupo que faria uma viagem às cavernas da região do vale do Ribeira e resolveu acompanhá-los. O passeio de final de semana mudou sua vida, até hoje Clayton trabalha com questões relacionadas à Mata Atlântica e a cavernas.

Clayton já conheceu mais de 500 cavernas ao redor do mundo, além de ter sido o primeiro diretor do Petar (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira). Nessa longa jornada como espeleólogo --especialista em cavidades naturais--, Clayton chegou a passar 21 dias dentro de uma caverna para um experimento.

Leia abaixo a entrevista concedida à Folhinha.

Folhinha - Como foi sua primeira experiência em caverna?
Em 1972, encontrei o Centro Excursionista Universitário e fui a uma atividade em um rancho da SBE (Sociedade Brasileira de Espeleologia), no vale do Ribeira. Foram seis dias e seis cavernas diferentes. A primeira caverna era um buraquinho no chão, 80 cm de diâmetro, e um abismo dentro da terra, que descemos com escadinha de alumínio. Lá dentro tinha muita argila, muita lama e um rio gelado. Andamos por uns 60 ou 80 metros agachados e então se abriu um salão gigantesco.

Folhinha - Você já chegou a morar dentro de uma caverna?
Fizemos dois experimentos de permanência em caverna. O primeiro foram 15 dias na caverna de Santana (SP), o segundo foram 21 dias na Gruta do Padre (BA). Na primeira, fomos em 11 pessoas: seis mulheres e cinco homens, além de um ratinho branco macho para equilibrar a equipe. A ideia era estudar o que precisaríamos dentro de uma caverna se ficássemos presos. Um acampamento foi montado a 800 metros da boca da gruta e por 15 dias não tivemos contato com o exterior. O mais curioso foram as alterações no relógio biológico por não sabermos se era dia ou noite. Teve um dia que durou 35 horas e uma noite em que dormimos 18 horas.
Foi nesse primeiro experimento que descobrimos o salão Taqueupa, o mais ornamentado do Brasil.

Folhinha - Quando criança você já era um explorador?
Minha mãe sempre foi muito ligada à natureza e o incentivo dela foi fundamental para mim. A gente sempre saía para fazer trilhas pela fazenda para conhecer um fungo ou um ninho, para ver algum animal diferente. É a grande aventura do conhecimento.

Folhinha - Como você aconselharia um pequeno explorador interessado em cavernas?
As cavernas são um mundo diferente que lhe permite ver coisas muito bonitas do ponto de vista ambiental, lhe permite acompanhar um pouco da evolução das espécies. É interessante conhecer a escuridão, as trevas, o silêncio. Ver que sua imaginação gera imagens e provocar a observação atenta do ambiente. Sem esquecer que para tudo isso é preciso se sujar. A caverna é um parque de diversão que nos conecta à natureza.

PARA CONFERIR
Livro: "Cavernas - O Fascinante Brasil Subterrâneo"
Autor: Clayton Ferreira Lino
Editora: Gaia
Preço: R$ 135

 

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