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Kombi Alice chega a Pains e leva pequenos fotógrafos para cavernas
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INÊS CALIXTO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
| Inês Calixto |
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| Igreja Nossa Senhora do Rosário, na cidade de Pains |
Herdeiros da maior reserva de calcário do mundo, crianças de Pains, na cabeceira do rio São Francisco, em Minas Gerais, participaram da expedição fotográfica que uniu a arte de fotografar à educação ambiental e patrimonial.
Folhinha pega carona com fotógrafos da Kombi Alice, que viaja pelo Brasil
Mochila nas costas, câmeras nas mãos, olhar atento e desbravador; vestidos para a aventura, vinte alunos da Escola Municipal Professor João Batista Gotardo se movimentaram para fotografar as belezas naturais do município de Pains.
Nos arredores da pequena cidade, se estendendo por vários municípios, formações milenares de calcário se elevam em complexos rochosos de riqueza histórica inestimável. Nesses paredões de rochas, podem-se ver as marcas deixadas pelo homem primitivo como sinais de mãos cravadas na rocha, pinturas rupestres, cavernas grandes e pequenas. Brindando essa beleza toda, está o Cálice, monumento solitário, esculpido pela ação do vento nas rochas.
Do lado de fora das cavernas, dolinas (depressões no solo, formadas pela dissolução química das rochas calcárias), lagoas, rios, brejos e córregos formam a "caixa d'água" do rio São Francisco.
| Inês Calixto |
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| Empresa de mineração do munícípio de Pains, em Minas Gerais |
Exploração de calcário
Na pequena Pains, empresas de mineração exploram a extração do calcário, produto usado no tratamento da água, na construção de estradas, prédios, casas, na fabricação de cal etc. Extrair minérios em Pains exige delicadeza, cuidado e respeito ao meio ambiente. Ao fazer a extração das pedras, corre-se o risco de explodir cavernas e destruir sítios arqueológicos importantes para a reconstrução da história da vida no planeta, além de prejudicar as nascentes de água que desembocam no São Francisco e fornecem água para a população.
Os pequenos têm experiências pouco agradáveis com a exploração de minérios: "Quando soltam banana de dinamite para explodir a montanha, treme tudo lá em casa, as janelas, as portas, tudo", afirma Luiz Henrique, 10.
É por tudo isso que, na cidade, ONGs, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, órgãos estaduais e federais se unem para estabelecer critérios que permitam a exploração do calcário sem machucar demais o meio ambiente. Mas essa não é uma tarefa muito fácil. Apesar de todo o movimento a favor da preservação, algumas grutas e formações rochosas correm o risco de desaparecer.
Em Pains, foram descobertas aproximadamente 1.200 grutas e diversos sítios arqueológicos. Foi numa dessas cavernas, mais precisamente na gruta do Angá, conhecida hoje como a gruta do Mastodonte, na divisa dos municípios de Pains e Córrego Fundo, que encontraram parte da ossada de um mastodonte, hoje em exposição no Museu de História Natural da PUC, em Belo Horizonte.
| Inês Calixto/. |
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| Crianças tiram fotos dentro da caverna no município de Pains |
Aventura fotográfica
A educação ambiental e patrimonial foi tema da oficina de fotografia, na Escola Municipal Professor João Batista Rodarte. Organizamos, em parceria com o Centro de Referência para Revitalização do Rio São Francisco e Secretaria Municipal de Educação, uma expedição fotográfica que incluía, no primeiro dia, uma visita ao Cálice, monumento esculpido na rocha. Para acessá-lo, a galera passou por dentro de uma roça de milho e feijão. Xi! Cuidado com os pezinhos! Olhem bem por onde pisam!
O segundo dia ficou reservado para conhecimento, exploração e fotografia de uma caverna e o seu entorno. Acordar cedo, preparar mochilas, vestir-se para a aventura e lá estavam eles, às 7h da manhã, prontos para enfrentar os desafios da viagem fotográfica.
Mas... Ops! Vida de aventureiro tem lá suas dificuldades: para chegar à caverna, escondida embaixo de um paredão rochoso, cruzaram pastos com gado, atravessaram um "campo de verrugas" (campo coberto por elevações de rochas calcárias parecendo verrugas), passaram por baixo de cercas de arame farpado. Tudo parecia bem, quando... Cadê a ponte que estava aqui? Urgh! É uma pinguela! (Pinguela é uma ponte rústica, construída com troncos de árvore estendidos de uma a outra margem do rio).
Enfim, chegamos à caverna Carro de Bois, nos arredores da Vila Costina, distrito de Pains. Lá dentro, o silêncio do tempo nos tocou. As crianças se calaram admiradas, para depois explorar e fotografar a história esculpida nas paredes milenares da gruta.
A aventura fotográfica chegou ao fim quando abelhas africanas, atraídas pelo vozerio infantil, chegaram para se aninhar nos nossos cabelos. O Dirceu, coordenador do Centro de Referência para Revitalização do Rio São Francisco e nosso guia na expedição, foi mais rápido que as abelhas conseguindo nos tirar da caverna antes do ataque. Ufa!!!
Para conhecer as fotos feitas pelas crianças durante a expedição, clique aqui.
| Franco Hoff |
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| Cidade de Pains, em Minas Gerais, fotografada à noite |
Que cidade é Pains?
Pains é uma cidade pequenina, localizada no oeste de Minas Gerais, na Serra de Piumhi. O município tem aproximadamente 8.000 habitantes. Possuidora da maior reserva de calcário do mundo, está entre as dez cidades localizadas na cabeceira do rio São Francisco. A cidade leva o mesmo nome da mata nativa da região, Mata de Pains (mata de transição entre o Cerrado e a Mata Atlântica. É um bioma próprio de Pains).
A história da cidade remonta ao ano de 1721, quando os bandeirantes vieram para o alto do rio São Francisco com intenção de colonizá-lo. Em 1727, o governo assinou 27 cartas de Sesmarias (sistema de distribuição de terras no Brasil Colonial). Entre os donos das Sesmarias, estavam os parentes de Inácio Correia Pamplona, encarregado de perseguir e dizimar os índios "Calhambolhas" da região. Mais tarde os Pamplonas cresceram e deram origem à família Paim Pamplona. Conta-se que o nome do município de Pains se deve ao costume de se falar: "Vamos à fazenda dos Paim".
Clique aqui para conhecer detalhes da cidade.
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