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12/11/2010 - 14h00

Zé do Caixão leva histórias de terror para as escolas

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LUCIANO BOTTINI FILHO
DE SÃO PAULO

Alessandra Fratus/Divulgação
José Mojica Marins, o Zé do Caixão, visita escolas em projeto
José Mojica Marins, o Zé do Caixão, visita escolas em projeto

O personagem mais famoso do diretor José Mojica Marins, o Zé do Caixão, anda assustando alguns alunos por aí.

O mais estranho é que ele chega como convidado. Em 2011, pelo menos oito escolas já agendaram uma visita da macabra celebridade.

Pioneiro do cinema de terror no Brasil, Zé do Caixão tornou-se, além da referência de horror nacional mais conhecida, um belo contador de histórias.

Para crianças de 4 a 12, as sessões não são tão pesadas quanto os filmes que formam a carreira de Mojica. "O Livro horripilante de Zé do Caixão" (ed. Panda Books, R$27,90) traz 12 contos em tom sombrio que, no fundo, são lições para crianças reais.

Divulgação
O mestre do terror nacional cria histórias para arrepiar a criançada
O mestre do terror nacional cria histórias para arrepiar a criançada

Medo de verdade, só quem ouve o jeito tenembroso de Zé do Caixão contar os casos. Confira a entrevista com autor e o podcast com a narração do conto "As Maldades de Arturzinho".

Conto

Como foi a infância de Zé do Caixão?

Mojica: O Zé do Caixão foi uma criança iluminada, porque era uma época que não tinha televisão nem computador. Eram raros os cinemas, mas eu vivia neles. Eu era um homem contemplado por ver aquela tela enorme e com isso eu fazia uma amizade forte com as crianças. Todo mundo queria ser meu amigo para para entrar de graça no cinema.

Como veio a ideia de escrever um livro para crianças?

Mojica: Há uns 10 anos, fui ao ABC [região industrial de São Paulo] fazer uma apresentação para 30 crianças. Só que apareceram 500. As crianças começaram a falar e eu sentia que, quando abria a boca, elas paravam. Eu tinha só história de terror, nunca tinha pensando em história infantil. Mas, a partir daquela história, eu improviso. Todo mundo achava que eu podia contar, então pela primeira vez comecei a contar histórias infantis. As crianças pulavam de alegria, os pais ficavam satisfeitos. Depois, fui procurado pela editora [Panda Books] para publicar o livro.

Como está sendo a experiência de visitar escolas para contar história?

Mojica: Sinto-me bem toda escola que vou. As crianças fazem perguntas que a imprensa não está fazendo. Essas palestras são muito produtivas.

As crianças gostavam de te ver na TV quando passava seu programa no canal Bandeirantes?

Mojica: Meu programa sempre tem uma audiência fantástica, com certeza são crianças. O que recebo de carta de criança... Você ve que a criança espera dar meia-noite, na sexta-feira, para ver o meu programa, que já está há quatro anos no ar.

 

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