São Paulo, Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2000


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Estratégia ameaça mudança de imagem de tucano

da Sucursal de Brasília

O presidente Fernando Henrique Cardoso vem sendo aconselhado, desde o ano passado, a viajar mais pelo país, a ter mais contato direto com os cidadãos e a ser mais decidido e incisivo.
O conselho foi dado a FHC pelo seu comitê político, formado principalmente por tucanos, para que ele recupere popularidade.
A "nova fase" de FHC, a partir de 2000, seria então marcada por uma imagem mais administrativa e menos titubeante, revertendo a idéia atual de que ele não gosta de governar e tem dificuldade para tomar decisões.
Essa idéia é colhida de pesquisas, inclusive as do governo, e de declarações nada amistosas feitas por aliados políticos de FHC à imprensa. O maior exemplo é o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
O que marcou a "nova fase" logo na primeira semana do ano foi a ida de FHC a municípios duramente atingidos pelas enchentes, tanto em Minas quanto no Rio de Janeiro.
A decisão foi tomada no final da tarde de uma segunda-feira. Na terça de manhã ele já se dirigia à área, viajando de helicóptero, mesmo em condições adversas.
A substituição do ministro da Defesa, Elcio Alvares, estava sendo considerada ontem de manhã uma segunda demonstração no mesmo sentido.
O ministro está desgastado politicamente desde a crise envolvendo a investigação da CPI do Narcotráfico sobre sua principal assessora.
O embate público com um de seus comandados, o então chefe da Aeronáutica Walter Bräuer, acabou levando à queda do militar e um maior desgaste de Alvares com seu superior -Fernando Henrique Cardoso.
O efeito da atuação de FHC no caso agora, entretanto, pode ser justamente ao contrário de quem está querendo combater a imagem de indefinição.
Parte do governo admitia como certa a saída do ministro. Outra parte dizia que ele ficaria no cargo. FHC empurrou a decisão "com a barriga".
Ou seja: mandou dizer que Alvares fica, em recados indiretos e declarações públicas, com todos sabendo que o ministro está com os dias contados.
Mais uma vez, a indecisão é fruto da origem do governo, resultado de uma ampla aliança político-partidária na qual os interesses dificilmente confluem.


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