São Paulo, Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2000


Envie esta notícia por e-mail para
assinantes do UOL ou da Folha
Texto Anterior | Próximo Texto | Índice

GOVERNO
Ministro da Defesa nega estar demissionário e diz não acreditar que esteja em processo de "fritura"
Para Alvares, FHC reiterou confiança

WILLIAM FRANÇA
RAQUEL ULHÔA
da Sucursal de Brasília

O ministro da Defesa, Elcio Alvares, negou ontem que esteja demissionário ou que tenha recebido indicações da Presidência de que será demitido. No final da tarde, Alvares afirmou à Folha que teve "um dia de rotina, com muito trabalho, como sempre".
"Há uma maldade constante. Não sei a quem atribuir essa intenção de me afastar do governo. Quando estava no Senado, inclusive como líder do governo, não houve nada disso. Agora, que estou num cargo importante, até mesmo para os civis...", disse.
O ministro disse que manteve a rotina de trabalho e não se preocupou nem em falar ontem com o presidente Fernando Henrique Cardoso porque viu, pela TV, ainda de manhã, as declarações de FHC descartando mudanças no ministério e reiterando a confiança nele. "O presidente deu o tom."
O ministro acha que está sendo vítima de uma campanha de desmoralização. Na sua opinião, as notícias sobre sua demissão estariam sendo ""plantadas" na imprensa por um grupo -que teria representantes no governo- interessado na instabilidade do ministro da Defesa.
Pelo menos duas medidas do ministro que teriam contrariado grandes interesses são citadas por seus interlocutores: está tratando da criação da Agência Nacional de Aviação Civil -o que contraria a Aeronáutica e foi um dos motivos da demissão do ex-comandante dessa Força, Walter Bräuer- e está alterando a Infraero, com a possibilidade de privatização dos aeroportos.
O que Alvares argumenta em sua defesa é que tem 30 anos de vida pública sem sofrer qualquer acusação de envolvimento em prática de crime ou em ato indecoroso. "Se o ministro for bandido, que provem isso", disse.
Ele afirma que tem se sentido prestigiado pelo presidente e que continua sendo tratado como um ex-líder do seu governo que se manteve fiel nos quatro anos do primeiro mandato de FHC.
Por isso, o ministro diz não acreditar que FHC esteja alimentando um processo de "fritura" para constrangê-lo, forçando-o a apresentar a demissão.
Seu argumento é que o presidente o conhece bem e que, se quisesse demiti-lo, não usaria subterfúgios. "Na hora em que ele precisar do meu cargo, não terá de falar duas vezes", diz.
Embora mostrando cautela, o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), reafirmou sua opinião de que Alvares permanecerá. "Isso é um problema do ministro e do presidente. O presidente nomeia e demite ministros. Ele tem afirmado que o Elcio será mantido. E tenho a impressão de que vai ser."


Texto Anterior: Estratégia ameaça mudança de imagem de tucano
Próximo Texto: Militares dizem ignorar saída
Índice


Copyright Empresa Folha da Manhã S/A. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Agência Folha.