São Paulo, domingo, 12 de julho de 2009

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403 "chefes" do Senado têm extra de R$ 1.615

110 são os únicos funcionários lotados nas suas chefias; alguns cuidam de terceirizados

Servidores que recebem gratificação são responsáveis por elevadores, telefonia celular, assistência elétrica, vistos e entrega de pacotes


Joedson Alves/Folha Imagem
O novo diretor-geral do Senado, Haroldo Feitosa Tajra, o segundo a assumir o cargo neste ano depois da queda de Agaciel Maia

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

As então 181 diretorias no Senado causaram espanto há quatro meses, mas passou despercebida a existência dos 403 "chefes de serviço", recebendo gratificações especiais de R$ 1.615 para cuidar de elevadores, telefonia celular, assistência elétrica, concessão de vistos e passaportes e entrega de pacotes, entre outros.
Destes, 110 (27%) são os únicos funcionários lotados nas suas próprias chefias. A Folha identificou dois casos de "chefes de si mesmo", que não têm a quem comandar. Outros são responsáveis por chefiar funcionários terceirizados.
O setor de entregas é ocupado só pelo chefe, responsável por uma espécie de serviço de delivery personalizado. De carro, Luiz Gilson Santos Lima leva documentos e pacotes do Senado a ministérios, autarquias e órgãos do Judiciário.
A reportagem não localizou Lima, que está de licença médica. Segundo informações de um colega, ele tem que ir pessoalmente porque também é o responsável por protocolar os documentos, coisa que um motoboy não poderia fazer.
Ex-diretor da gráfica do Senado, Mário César Pinheiro Maia chefia o "serviço de controle e permissões de utilização de espaço". Trabalha com apenas uma secretária -que não aparece no site do Senado como subordinada dele.
"O serviço é fundamental. Cuidamos dos espaços físicos do Senado que são utilizados por órgãos de fora da Casa, como assessorias parlamentares de ministérios. Mas o trabalho não é de grande monta. Uma pessoa com uma secretária é suficiente", afirma.
Numa garagem perto do prédio principal do Senado, funciona o "serviço de manutenção de veículos", que faz reparos na frota da Casa -204 veículos, entre carros para uso dos senadores e veículos de transporte de material. O chefe também é a única pessoa lotada em sua seção. Trabalha com oito mecânicos terceirizados na oficina do Senado.
A situação se repete em várias áreas. Só a biblioteca do Senado tem três chefes de serviços solitários: um responsável por "empréstimo e devolução de materiais bibliográficos", outro para "recuperação de informações bibliográficas" e um terceiro de "biblioteca digital".
Segundo a assessoria do Senado, os chefes de serviço recebem a gratificação de R$ 1.651,21 independentemente do salário que recebem. Isso não se aplica a alguns servidores cujos cargos já têm a gratificação incorporada ao salário, como os analistas da área de comunicação e de informática.
(FÁBIO ZANINI E ALAN GRIPP)

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