São Paulo, quinta-feira, 17 de novembro de 2005

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ESCÂNDALO DO "MENSALÃO"/ PALOCCI NA MIRA

Seguradora, associada por CPI a irmão de Palocci, foi tema principal de conversa entre Carlinhos Cachoeira e ex-assessor da Casa Civil

Interbrazil aparece em fita de Waldomiro

CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL

Associada pela CPI dos Correios a Adhemar Palocci -diretor de Planejamento e Engenharia da Eletronorte e irmão do ministro da Fazenda, Antonio Palocci- a Interbrazil Seguradora passou despercebida no primeiro escândalo que abalou o governo Lula: a fita com a conversa entre o empresário de jogos Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e o ex-assessor da Presidência Waldomiro Diniz. Mas a empresa não só foi o ponto número um da pauta do encontro entre Cachoeira e Diniz, como deu um calote de quase R$ 4 milhões no governo do Rio.
Atendendo a uma exigência legal, a Interbrazil foi contratada por Cachoeira para garantir o cumprimento de dois contratos: com a Loteria do Rio (Loterj) e a do Rio Grande do Sul (Lotergs). Pela apólice, a seguradora se compromete a cobrir o prejuízo caso o contrato não seja honrado. Mas, em 2004, com a explosão do escândalo Waldomiro, eles foram anulados e o seguro não foi pago.
Ainda inéditos, trechos da fita mostram que a Interbrazil -mesmo que não citada nominalmente- foi objeto do diálogo. Na conversa, filmada por Cachoeira em julho de 2002, quase dois anos antes do escândalo, Waldomiro, então presidente da Loterj, cobra a quitação do seguro com a Interbrazil como condição para a assinatura do contrato que assegurou ao empresário o controle do jogo no Rio de Janeiro.
"Tem que adotar uma série de problemas burocráticos para não dar problema. O tribunal vai precisar aprovar isso, entendeu? Se o tribunal não está de acordo, não faz", argumentou.
Waldomiro diz que a seguradora se queixa do cancelamento da última parcela para pagamento da apólice. Cachoeira alega que sustou um cheque de R$ 99.056 porque a seguradora era a mesma do contrato do Rio Grande do Sul. Como no "Rio Grande do Sul deu problema" (o processo estava atrasado), queria transferir o crédito com a Interbrazil para o Rio.
Waldomiro insiste, porém, para que Cachoeira pague a seguradora. Os R$ 99.056 finais foram quitados em 8 de agosto de 2002. Estranhamente, a apólice é de 4 de fevereiro. "É de fevereiro e a conversa aconteceu em julho, mas o contrato está todo dentro da normalidade", disse Cachoeira.
Pela apólice, a Interbrazil se compromete a pagar R$ 3.365.999 à Loterj caso o contrato com Cachoeira fracasse.
Relator da CPI da Loterj na Assembléia do Rio, Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB) disse que, "seguramente", Waldomiro apresentou a Interbrazil a Cachoeira.
Procurado pela Folha, Cachoeira confirmou o teor da conversa. Disse, porém, que a Interbrazil foi recomendada por uma corretora como capaz de oferecer o menor preço do mercado.
Segundo cópias de e-mails em poder da CPI, a Interbrazil teria apoiado a campanha do PT em 2004 a pedido de Adhemar. Num e-mail de setembro de 2004, Cláudio Marques envia a seu irmão André Marques, presidente da Interbrazil, uma lista de gastos de campanha, encabeçada pela inscrição: "O que o Palocci quer é o seguinte: Grana para pagar o seguinte:". À CPI, André confirmou o conteúdo dos e-mails. Mas negou que tenha colaborado com a campanha a pedido de Adhemar, que evita comentar os e-mails.


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