São Paulo, terça-feira, 20 de janeiro de 2009

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Toda Mídia

NELSON DE SÁ - nelsondesa@folhasp.com.br

As crianças negras

Barack Hussein Obama II decidiu usar seu nome completo, no juramento de hoje. Para o "Washington Post", o jornal da cidade de maioria negra, é sinal de como valoriza a sua origem afro-americana. Ontem na capa, o "WP" destacou, de sua entrevista com o presidente eleito, que "está falando mais sobre como sua identidade racial pode unir e transformar o país". Ele saúda, por exemplo, como "uma geração inteira" deve crescer com o maior cargo dos Estados Unidos ocupado por um afro-americano:
- É algo radical. Muda como as crianças negras veem a si mesmas. Muda também como as crianças brancas veem as crianças negras.
Já o site Politico, também de Washington, passou o dia com a manchete "Obama vs. Primeiro Presidente Negro". Avalia que não é essa "a história que ele está tentando contar", que o objetivo central hoje na posse "é comunicar que somos um só povo".

DESCULPAS
meridianstar.com
Domingo, às vésperas do dia de Martin Luther King e da posse, o jornal "The Meridian Star", do Mississippi, deu editorial para "honrar" os que lutaram pelos direitos civis no Sul dos EUA e para "oferecer nossas sinceras desculpas" por não reagir à "injustiça de escolas e ônibus segregados" e não defender então o voto dos "mississippianos negros"

A FOX NEWS MUDA
Canal que "simboliza os anos George W. Bush", a Fox News decidiu mudar sua programação, noticia o "New York Times". Mas é para "escorar sua base de espectadores" à direita, não em busca de equilíbrio sob Obama.
Mas uma de suas atrações, Sean Hannity, vem perdendo audiência para uma estrela ascendente, Rachel Maddow, da liberal MSNBC.

"EMERGÊNCIA"
Ainda presidente, Bush declarou "estado de emergência" em Washington, para a posse. E a mídia também instalou sua "cobertura de emergência", diz o Politico.
A CNN distribuiu celulares por satélite, para o caso de corte de energia, e colchões. Também o "WP". Na "cidade ocupada", com ruas fechadas e barreiras, a mídia deve se posicionar logo cedo.

A IMAGINAÇÃO DE OBAMA
A estatal Agência Brasil, para a notícia do ano, entrevista o ministro Roberto Mangabeira Unger, que foi professor de Obama em Harvard. Ele diz que, pelos colaboradores que escolheu, o democrata aponta para um governo "muito convencional". Mas "a crise é uma grande aliada da imaginação" e Obama "é um homem sereno e cauteloso, mas também apreciador da imaginação".
Unger acredita que o Brasil tem "uma oportunidade extraordinária de abrir um novo tipo de relação com os EUA", em "novas frentes de colaboração".

UM SINAL PARA CUBA
Lula, que recebeu telefonema de Bush e o convidou para pescar, segundo as agências, voltou a afirmar no "Café com o Presidente" que Obama deveria lançar "um sinal para Cuba", para avançar na relação com a América Latina. E também se esforçar para concluir a Rodada Doha.
Sobre o Brasil, a ligação pode ser "aprimorada".

A CHINA VISITA
Enquanto Obama concentra o foco mundial, chegou ao Brasil o chanceler chinês, convidado pelo governo daqui -e mal percebido pela cobertura, mas seguido passo a passo pelo "China Daily".
O jornal estatal também deu artigo sobre o "smart power" de Obama na diplomacia e voltou a sublinhar o poder crescente dos Brics.

MALMEQUER
bbc.co.uk
O blog de Sérgio Dávila no UOL informa que o Itamaraty teme pelas relações bilaterais, no governo Obama, e "saiu a campo para pedir a permanência de Thomas Shannon, atual número 1 da chancelaria americana para a América Latina" e que "adora o país".
Já a BBC Brasil ouviu analistas sediados em Washington, como o jornalista Paulo Sotero, do Wilson Center, que vislumbram "oportunidades" para o Brasil com a nova administração, sobretudo por nomes como Hillary Clinton, que tem "contatos brasileiros".

"TOO LITTLE, TOO LATE"
Saiu até no site Drudge Report, ontem, "Brasil perde 654 mil empregos em meio à crise". Foi "o pior resultado em dez anos", na Folha Online e no "JN".
Daí por que a agência Reuters avaliou para a semana que os olhos do mundo emergente devem estar na queda de juros no Brasil, mais até do que no pacote de estímulo de Obama. Avisou porém que a resposta do Banco Central pode vir "muito tarde e muito pequena".
Com sua saída prenunciada pela revista "CartaCapital" desta semana, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, passou os últimos dias respondendo que fica, da Bloomberg ao site da "Veja".


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@ - Nelson de Sá



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