São Paulo, terça-feira, 25 de agosto de 2009

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Painel

RENATA LO PRETE - painel@uol.com.br

Tudo dominado

Na nota divulgada ontem, os 12 dirigentes da Receita Federal que pediram exoneração mencionaram, além da "forma como ocorreu" a dispensa de Lina Vieira e da "evidente intenção do Ministério da Fazenda de afastar outros administradores", os "depoimentos realizados no Congresso". Trata-se de referência à ida de Otacílio Cartaxo à CPI da Petrobras.
Ali, ao recuar do que a Receita havia dito acerca da manobra praticada pela empresa para pagar menos imposto, Cartaxo assegurou sua efetivação, mas deixou a equipe de queixo caído e convencida de que -ao contrário do que pede a nota de ontem-, não será "mantido o foco nos grandes contribuintes" nem "preservada a autonomia técnica da Receita".




Nunca antes. Um subsecretário (Fiscalização), cinco superintendentes regionais, um superintendente-adjunto e cinco coordenadores. Não há precedente de debandada dessa envergadura na Receita.

Ficou. Chamou a atenção a ausência de Eliana Polo Pereira, da 7ª Região (Rio de Janeiro), na lista dos superintendentes que pediram exoneração. Ela se reuniu com Cartaxo antes do depoimento deste à CPI da Petrobras. Seu adjunto, José Carlos Sabino, está entre os que saíram.

Saiu. Ao menos um dos superintendentes sabe que teria sido apeado se não tivesse saído por iniciativa própria. Considerado um dos maiores especialistas da Receita na área de aduana, Dão Real Pereira dos Santos, da 10ª Região (Rio Grande do Sul), custou a ser nomeado, tamanha a pressão de empresários contra seu nome, e vivia às turras com Nelson Machado, secretário-executivo da Fazenda.

Rebelião 1. Reunião hoje do Conselho Nacional do Ministério Público vai opor o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e os novos conselheiros, que se recusam a votar proposta de estruturação de cargos feita por Gurgel.

Rebelião 2. Oito dos 15 conselheiros acusam Gurgel de tentar aparelhar o órgão de controle externo com funcionários do Ministério Público. O líder da resistência é o corregedor-geral do CNMP, o promotor de Justiça catarinense Sandro Neis.

Amigos do peito. No almoço reservado que teve ontem com Michel Temer, Lula elogiou a condução da Câmara e o fato de a Casa estar votando normalmente. A comparação com a situação do Senado ficou nas entrelinhas.

Em campo. Lula ficou de chamar Geddel Vieira Lima e Jader Barbalho para conversas reservadas. Acredita que conseguirá reverter o rompimento do PMDB com o PT na Bahia e no Pará, dois colégios eleitorais importantes na convenção peemedebista.

Na janela. Ainda no encontro com Temer, o presidente demonstrou ansiedade com o julgamento, pelo STF, do pedido de abertura de ação penal contra Antonio Palocci. E disse que, caso seja isentado, o ex-ministro passa a ser o petista mais cotado para disputar o governo de São Paulo.

Penhora. Complacente com Marina Silva, o PT pensa seriamente em pedir o mandato de Flávio Arns (PR). Uma auditoria na situação "fiscal" do senador no partido revelou um débito de R$ 66 mil na contribuição partidária, não paga desde 2007.

Obamizada. Marina Silva foi recebida anteontem no Acre por militantes do PV munidos de faixas e balões. Nas camisetas, a tentativa de associar a senadora à trajetória de Barack Obama nos EUA: "Sim, nós [também] podemos!", diziam as inscrições, com a foto dela "obamizada".

Visita à Folha. Márcio Pochmann, presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), visitou ontem a Folha. Estava acompanhado de Daniel Castro, assessor-chefe de comunicação.

com VERA MAGALHÃES e SILVIO NAVARRO

Tiroteio

Com seu palpite sem base científica, Montenegro tira o Ibope da concorrência com outros institutos de pesquisa e o coloca no mercado de jogadores de búzios.

Do deputado CÂNDIDO VACCAREZZA, líder do PT na Câmara, sobre o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, que previu em entrevista que "Lula não fará o sucessor".

Contraponto

Imortais

Numa tarde antes do recesso, quando a oposição pressionava pela instalação da CPI da Petrobras, Mão Santa (PMDB-PI) sofria à frente da Mesa Diretora pois, embora apoiasse a investigação, tinha ordem do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para barrá-la.
-O senhor é um homem de coragem- elogiava Arthur Virgílio (PSDB-AM) num esforço para comover o colega.
-Minha assinatura está na lista, só tiro se Deus me levar!- respondeu Mão Santa, reafirmando seu apoio, mas se recusando a fazer a leitura do requerimento.
O tucano pensou um instante e devolveu:
-O senhor não morrerá tão cedo. Estaremos os dois aqui velhinhos, festejando o bicentenário do Flamengo!


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