São Paulo, quinta-feira, 27 de agosto de 2009

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Painel

RENATA LO PRETE - painel@uol.com.br

"Prova plena"

Na defesa de 248 páginas que entregou ao STF, o advogado de Antonio Palocci, José Roberto Batochio, aposta na desconstrução da figura de Francenildo Costa, o caseiro que teve o sigilo bancário violado quando acusou o ex-ministro de frequentar a "casa do lobby". No texto, Batochio questiona a condição do pai de Francenildo de depositar R$ 35 mil em sua conta. Acrescenta que, embora o caseiro tenha dito que recebeu o dinheiro para evitar um processo de reconhecimento de paternidade, ajuizou a ação.
A defesa tentará sustentar que, para além da insuficiência de provas da participação de Palocci em delito, haveria no processo "prova plena" de que ele não teve envolvimento na eventual quebra de sigilo.




Sim. De um ministro do STF, sobre o pedido de abertura de ação penal: "O arquivamento deste caso será ruim para a imagem da Corte".

Não. Outra opinião ouvida na Casa: "Há coisas moralmente execráveis que no entanto não constituem crime".

Para entender 1. Paulo Antenor de Oliveira, que esculhambou a gestão de Lina Vieira em entrevista ao programa "Entre Aspas", da Globonews, preside o Sindireceita, representante dos analistas tributários. Pouco depois de sua posse, Lina recebeu a direção do sindicato, que lhe apresentou uma antiga reivindicação: dar aos analistas a possibilidade de se tornarem auditores (a outra carreira da Receita) sem concurso. Ela respondeu que nem pensar.

Para entender 2. Quando secretário da Receita no governo FHC, Everardo Maciel, outro que detonou Lina na bancada do "Entre Aspas", deu força silenciosa ao pleito do Sindireceita. Era tática para tentar enfraquecer o Unafisco, sindicato dos auditores.

Para entender 3. O grupo do Unafisco que ascendeu e caiu com Lina é hoje oposição no sindicato. O presidente, Pedro Delarue, foi eleito com o patrocínio de Jorge Rachid, cria de Everardo que comandou a Receita por cinco anos e meio no governo Lula, até ser substituído por Lina. Daí o fato de Delarue ser mais um a reclamar da "politização" que ela teria promovido.

Curioso. O habitualmente discreto Everardo é no momento o mais eloquente defensor do governo Lula na batalha contra Lina. Um ano atrás, ao nomeá-la, o ministro Guido Mantega (Fazenda) festejava ter sepultado a era Everardo-Rachid na Receita.

Câmeras. A Telemática, responsável pelo sistema de vigilância do Palácio do Planalto, presta serviços também ao BNDES, Tribunal Superior do Trabalho e à Petrobras.

Pão e circo. Do deputado Sandro Mabel (PR-GO) para Paulo Bernardo (Planejamento), durante reunião para tratar de liberação de emendas: "Sabe por que o leão não come o domador, ministro? Porque está bem alimentado".

Preview. Embora só vá anunciar no domingo que aceita o convite para entrar no PV, Marina Silva gravou ontem sua participação no programa do partido, a ser exibido em 10 de setembro.

Autor não. O deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) esclarece que é apenas relator, na CCJ, do projeto que cria o "dia do quadrilheiro".

Visitas à Folha. Heitor Sant'Anna Martins, presidente da Fundação Bienal de São Paulo, visitou ontem a Folha, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado por Roberto Teixeira da Costa, membro do Conselho de Administração da Sul América Seguros, e Miguel Chaia, do Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política da PUC-SP.

Eduardo Alves da Silva, diretor do Complexo Educacional FMU, visitou ontem a Folha. Estava com Roberto Moreira, diretor pedagógico.

com VERA MAGALHÃES e SILVIO NAVARRO

Tiroteio

"Dar cartão vermelho depois que o jogo acaba não altera o resultado da partida."

Do vereador paulistano JOÃO ANTONIO (PT), usando metáfora boleira para notar que seu correligionário Eduardo Suplicy se manifestou na tribuna sobre José Sarney depois que os processos contra o presidente do Senado já haviam sido sepultados no Conselho de Ética.

Contraponto

Arco-íris

Eduardo Suplicy (PT-SP) pediu a palavra ontem na Comissão de Constituição e Justiça do Senado para debater uma matéria com Wellington Salgado (PMDB-MG).
-Se Vossa Excelência não me der cartão vermelho, tudo bem- respondeu Salgado, referindo-se ao gesto que Suplicy fizera na véspera ao discursar sobre José Sarney.
Esclarecida a questão em debate, Suplicy replicou:
-Quero agradecer a contribuição do senador. Cartão azul para Vossa Excelência!
Diante da troca de amabilidades, coube ao presidente da comissão, Demóstenes Torres (DEM-GO), concluir:
-Desse jeito, daqui a pouco teremos cartão rosa...


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