São Paulo, domingo, 05 de março de 2000


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Autoritarismo causou matança

especial para a Folha

Thomas L. Whigham e Barbara Potthast, os autores do estudo sobre o número de mortos durante a Guerra do Paraguai, lembram que o caso mais citado de desastre populacional no século 20 foi o quase inacreditável sacrifício da população da União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial. Entre junho de 1941 e maio de 1945, os soviéticos perderam 27 milhões de pessoas, pouco mais de 10% da sua população.
Mas a União Soviética do ditador Joseph Stálin e sua inimiga, a Alemanha de Adolf Hitler, têm outro ponto em comum com o Paraguai do marechal Francisco Solano López. Tanto os dois países europeus como o latino-americano tiveram suas sociedades civis arregimentadas para o esforço de guerra em proporções raramente vistas.
Cotas de trabalho forçado eram comuns nos três países. Seus exércitos tinham mais alimentos e recursos que a população civil.
E foi uma mistura de coerção com culto à personalidade que fez com que esses ditadores arrancassem esforços gigantescos das populações de seus países.
"López cometeu um genocídio ao levar seu povo ao sacrifício como tática política", diz o antropólogo e historiador André Toral. López evacuava a população das regiões ameaçadas pelas tropas inimigas, em uma política total de terra arrasada.
Cansados pelas marchas forçadas, sem alimentos e presa fácil de doenças, os paraguaios morriam como moscas. Uma parte bem menor morreu em combate.
"Esses novos dados apontam que a população paraguaia deveria ser menor do que se imaginava, e que a mortandade foi proporcionalmente maior", afirma Toral.
O líder paraguaio, afirma o historiador Francisco Doratioto, era um governante autoritário, e "não fazia parte do perfil de Solano López a autocrítica de se reconhecer derrotado e buscar uma paz negociada, que teria salvado o Paraguai da destruição".
Não é por nada que ele é conhecido como o "Napoleão do Prata" entre seus admiradores -em geral na direita política paraguaia, como durante a ditadura de Alfredo Stroessner, e na esquerda latino-americana em geral.
Ele não tinha a mesma competência militar do imperador francês, mas, assim como Napoleão, López não concebia uma paz que não fosse consequência de vitória no campo de batalha. (RBN)


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