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Censo vai mapear todas as espécies da Amazônia

Iniciativa do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém, tem início com site elencando 3.000 animais do Pará

Objetivo é listar plantas e alcançar todos os Estados amazônicos, além da biodiversidade dos países vizinhos

Pedro Luiz Viera Peloso
O lagarto Gonatodes nascimentoi, uma das 130 espécies descobertas pelo Museu Paraense Emílio Goeldi nesta década
O lagarto Gonatodes nascimentoi, uma das 130 espécies descobertas pelo Museu Paraense Emílio Goeldi nesta década

REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE “CIÊNCIA+SAÚDE”

Pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém, lançam hoje um plano ambicioso: o de disponibilizar na internet a lista completa de todas as milhares de espécies de animais e plantas da Amazônia.

O Censo da Biodiversidade (que já pode ser acessado no endereço marte.museu-goeldi.br/biodiversidade/censo/aplicacao) por enquanto agrega apenas uma lista de mais de 3.000 espécies de animais, de mamíferos a aranhas, todos eles nativos do Pará.

"O plano é que, até o fim do ano, a gente consiga atingir toda a Amazônia brasileira", disse à Folha o biólogo Ulisses Galatti, um dos coordenadores da iniciativa.

O projeto se une a outras ferramentas virtuais Brasil e mundo afora (veja quadro à direita) cujo objetivo é concluir a tarefa aparentemente simples, mas na prática extremamente cabeluda, de contar quantas espécies existem no planeta.

Sem esse dado básico, fica muito difícil proteger as áreas mais ameaçadas pela pressão humana ou estudar as raízes evolutivas de plantas ou animais. No entanto, problemas como a escassez de profissionais especializados em sistemática (o ramo da biologia que classifica os seres vivos) atrapalham um bocado.

Mesmo em grupos já estudados de cabo a rabo, como mamíferos e aves, a expectativa é que 10% das espécies amazônicas ainda sejam desconhecidas, diz Galatti.

"Quando se fala de répteis e anfíbios, então, ainda há muita coisa desconhecida", afirma o biólogo do Goeldi.

REFERÊNCIA

Por enquanto, o internauta tem acesso apenas aos nomes científicos e ao status de conservação (se a espécie está criticamente ameaçada de extinção ou é apenas vulnerável, por exemplo) dos bichos paraenses.

O plano, no entanto, é indicar, para cada espécie, em que museu estão seus exemplares de referência, ou seja, os indivíduos (empalhados ou preservados em álcool, digamos) que serviram de base para que o descobridor da espécie a descrevesse.

Essa informação é crucial para que outro cientista, diante de uma criatura parecida, consiga dizer se ela pertence a uma espécie ainda desconhecida ou à mesma.

Os pesquisadores também devem incluir imagens e até sons de cada espécie. Em última instância, a iniciativa do censo pretende incluir espécies amazônicas dos países vizinhos e também de outros ecossistemas do país.

Junto com o site, o Goeldi também está lançando a publicação "Espécies do Milênio", que reúne as 130 novas criaturas descobertas pelos pesquisadores do museu entre o ano 2000 e 2011.

O museu também promove hoje um debate sobre a Rio+20, conferência ambiental da ONU que ocorre no Rio de Janeiro em junho, e a biodiversidade da Amazônia.

"É louvável discutir a economia verde na Rio+20, mas para isso é preciso pensar num desenvolvimento amazônico baseado em ciência e no potencial econômico da biodiversidade", diz Galatti.

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