São Paulo, quarta-feira, 18 de agosto de 2004

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RIO

Detentos inviabilizam projeto social em Bangu 2

MARIO HUGO MONKEN
DA SUCURSAL DO RIO

Por causa da ação de presos que se intitulam líderes da cadeia, a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária do Rio teve de suspender, há seis meses, um programa de capacitação profissional feito pela ONG Fundação Santa Cabrini no presídio Bangu 2 (zona oeste), considerado de segurança máxima.
Os presos que participavam do curso costuravam bolas de futebol e consertavam carrinhos de sorvete. A atividade foi interrompida porque eles eram obrigados pelos líderes a furtar o material usado no trabalho -como fibras e cordas-, que serviria para fabricar estoques (armas artesanais). Quem não obedecesse passava a ser perseguido na cadeia.
Em vez de controlar a ação dos líderes, a secretaria optou por suspender o projeto da Santa Cabrini. O subsecretário Aldney Peixoto afirmou à Folha que controlar os presos "é muito difícil".
O fato chocou o deputado federal Chico Alencar (PT-RJ), integrante de uma comissão de parlamentares que esteve ontem no complexo penitenciário de Bangu vistoriando os presídios. "A ação de uma elite carcerária acabou por suspender o princípio da gestão do sistema, que é castigar e, ao mesmo tempo, dar oportunidade de recuperação."
O presídio Bangu 2 tem capacidade para 750 detentos e abriga atualmente 650 presos, todos vinculados à facção criminosa Terceiro Comando.
O coronel Cid Souza Sá, assessor especial da Secretaria de Administração Penitenciária, afirmou que as autoridades têm o total controle da cadeia.

Roupas
No presídio Bangu 3, os deputados souberam que parentes de presos não podem entrar na unidade usando camisas, calcinhas ou sutiãs vermelhos ou pretos.
A alegação é que o vermelho é sinal de apologia à facção criminosa CV (Comando Vermelho) e o preto faz alusão à guerra.
Algumas mulheres disseram que são obrigadas a alugar roupas de outras cores para poder entrar na penitenciária. "A pena dos presos não pode ser repassada para seus parentes", disse a deputada Laura Carneiro (PFL-RJ).


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