São Paulo, sexta-feira, 21 de abril de 2000


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SAÚDE
Microcâmera é usada em operação que tem prazo menor de internação e recuperação menos dolorosa
Vídeo permite nova cirurgia de próstata

AURELIANO BIANCARELLI
da Reportagem Local

A videolaparoscopia, intervenção cirúrgica menos invasiva feita com a ajuda de uma videocâmara, começa a ser empregada com sucesso na operação do câncer de próstata. Na manhã de ontem, cirurgiões da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Faculdade de Medicina do ABC realizaram a quinta cirurgia desse tipo no Hospital São Paulo.
Outros grupos no Brasil, como o Hospital das Clínicas de São Paulo, também estão fazendo a cirurgia. No Rio Grande do Sul, a equipe do cirurgião Mirandolino Mariano já fez 19 operações e passou a adotar a técnica como rotina. Pelo menos uma equipe em Paris, onde a técnica está mais avançada, já realizou 300 casos.
A prostatectomia radical -como é chamada a cirurgia- consiste na retirada total da próstata. É um dos procedimentos mais utilizados no mundo todo para a cura do câncer localizado.
As vantagens da videolaparoscopia sobre a cirurgia aberta são menor tempo de hospitalização e recuperação menos dolorosa. Em lugar do corte de 15 cm feito na cirurgia aberta tradicional, a operação por vídeo é realizada por meio de cinco furos, de 5 mm a 10 mm de diâmetro. No primeiro deles, sobre o umbigo, é introduzida a videocâmara que transmitirá as imagens ao monitor. Nos outros furos, entram os instrumentos da operação.
Apesar dos bons resultados obtidos no Brasil e no exterior, professores titulares de urologia como Miguel Srougi, da Unifesp, e Sami Arap, da Faculdade de Medicina da USP, ainda preferem a operação aberta tradicional. "A cirurgia aberta está hoje muito bem padronizada e seus efeitos colaterais foram muito reduzidos", diz Arap.
Miguel Srougi, que já fez 1.300 cirurgias abertas, diz que os médicos mais experientes fazem a cirurgia em 90 minutos e o paciente deixa o hospital em cinco dias. Na média, a operação dura quatro horas e a internação, dez dias.
Mesmo defendendo a cirurgia aberta, os dois cirurgiões estão incentivando suas equipes a realizar a videolaparoscopia. É que as vantagens da cirurgia sem cortes devem ficar evidentes dentro de um ou dois anos, quando os médicos adquirirem prática maior. A cirurgia de ontem, por exemplo, levou quatro horas e trinta minutos, mais que o tempo de uma cirurgia aberta. Assim, a vantagem de um corte menor ainda se perde diante de um tempo maior de anestesia. O paciente de ontem, de 70 anos, deve deixar o hospital em uma semana.
"Com a prática, a perspectiva é reduzir o tempo da cirurgia e o período de hospitalização", diz Roberto Vaz Juliano, que dividiu a operação com Nelson Gataz.


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