São Paulo, quarta-feira, 28 de setembro de 2011

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Governo quer mais voos em Congonhas durante a Copa

Proposta é da Infraero, que avalia que o aeroporto pode passar de 34 para até 50 pousos e decolagens por hora

Estatal diz que a medida iria liberar espaço para aviões executivos; ampliação é tabu desde o acidente da TAM

RICARDO GALLO

SÃO PAULO

O governo federal quer derrubar, durante a Copa do Mundo de 2014, a atual limitação de voos no aeroporto em Congonhas, na zona sul de São Paulo.
Desde o acidente com o Airbus da TAM, em 2007, o aeroporto está autorizado a fazer até 34 pousos e decolagens a cada hora, por questões de segurança.
A proposta é da Infraero, estatal que administra os principais aeroportos brasileiros, baseada no fato de que a pista de Congonhas tem capacidade para mais voos -50 operações por hora ou, com uma reserva de 10% para atenuar eventuais atrasos, 45.
Será preciso ter espaço para os aviões executivos que pousarem em São Paulo na Copa; daí a ideia da ampliação de voos em Congonhas, afirma a estatal.
Campo de Marte e Viracopos (Campinas) também serão usados. Mais movimentado aeroporto do país, Cumbica (Guarulhos) abrigará voos fretados de madrugada, horário em que é mais vazio.
O assunto será discutido com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e com a Aeronáutica, que controla o tráfego aéreo nacional.
Aumentar a operação em Congonhas é tabu desde que um Airbus A-320 atravessou a pista do aeroporto e explodiu ao bater em um posto de combustível, quatro anos atrás, no pior desastre da aviação brasileira; na ocasião, 199 pessoas morreram.
À época a pista havia acabado de ser reformada, mas estava sem ranhuras que aumentam a aderência.
Até o acidente, o aeroporto tinha 48 pousos e decolagens por hora. Embora a investigação não tenha atribuído o acidente à pista, o governo federal decidiu enxugar as operações. Sem ter como contestar dado o clima de comoção pós-tragédia, as empresas aéreas assentiram.

SÓ JATINHOS
A Infraero diz não pretender, inicialmente, propor o aumento dos voos regulares. Para tal, seria necessário tornar a autorizar os pousos e decolagens das duas pistas; hoje, apenas uma é usada pelos aviões das companhias aéreas -a outra fica com os jatinhos executivos.
As empresas aéreas são favoráveis à ampliação, mas se mantêm discretas. Um dirigente de uma grande companhia disse à Folha que o ideal seria que Congonhas funcionasse 24 horas na Copa.
No entanto, Infraero e Anac dizem que não há movimentação a respeito.
O governo terá que enfrentar também os moradores do entorno do aeroporto. Um processo na Justiça pede a redução do horário de funcionamento de Congonhas.


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