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Vizinhos tentaram impedir que vítima fosse levada no porta-malas

Ao colocar Cláudia Ferreira no carro, PMs teriam atirado para o alto para afastar moradores

Mulher caiu do carro da PM duas vezes, a primeira ainda na favela; ela foi arrastada por 250 m e chegou morta ao hospital

DIANA BRITO DO RIO BRUNO CALIXTO COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DO RIO

Parentes e vizinhos de Cláudia Silva Ferreira, 38, morta domingo após ser baleada no morro da Congonha, em Madureira, zona norte do Rio, e arrastada num carro da PM, disseram ontem que tentaram impedir que os policiais a levassem no porta-malas para o hospital.

Cercados por moradores, os PMs teriam dado dois tiros para o alto e empurrado pessoas para sair com o carro.

Nesse momento, Cláudia estaria com o braço pendurado para fora do porta-malas, segundo moradores ouvidos ontem pela Folha.

Eles disseram ainda que a auxiliar de serviços gerais caiu pela primeira vez do porta-malas dentro da favela. Os policiais pararam o carro e a jogaram de volta no veículo.

Mais adiante, ela caiu pela segunda vez. Pendurada pela roupa, foi arrastada por cerca de 250 metros numa rua do bairro. Um cinegrafista amador gravou a cena.

A dona de casa Viviane da Silva, 38, disse que Cláudia estava sentada no chão quando foi baleada por um PM. "Nós vimos, ela estava sentada com medo, falando que não mexia com droga, quando o PM chegou, disse não quero nem saber', e atirou."

Uma vizinha, Cristina Ferreira, 32, diz que os moradores tentaram socorrer Cláudia. "Mas um policial a pegou pelo short, outro, pela blusa e jogaram na mala do carro. Eles empurraram o pessoal, deram dois tiros para o alto, fecharam a mala com a mão dela para fora e foram embora."

A filha mais velha de Cláudia, Thaís Lima, 18, viu a mãe no chão e correu atrás do carro pedindo que os PMs parassem e tirassem Cláudia do porta-malas. "Bati na porta do carro, pedi para eles pararem, mas não me ouviram."

Cláudia foi atingida quando ia à padaria buscar pão para os quatro filhos e quatro sobrinhos que criava.

Em entrevista num evento em Nilópolis, na Baixada Fluminense, o governador do Rio, Sérgio Cabral, disse que o caso é "repugnante" e que a expulsão dos PMs "é o mínimo que pode acontecer".

No Twitter, a presidente Dilma Rousseff enviou uma mensagem de solidariedade à família.

Laudo pericial divulgado ontem pela Polícia Civil afirma que Cláudia morreu por um tiro que perfurou o coração e o pulmão, e não pelo fato ter sido arrastada.

A polícia não informou a distância que foi disparado o tiro nem a trajetória da bala ao entrar no corpo, o que indicaria a posição da vítima na hora que foi atingida.

Os três policiais militares envolvidos no caso --subtenentes Rodney Miguel Archanjo e Adir Serrano Machado e o 3º sargento Alex Sandro da Silva Alves-- poderão ser indiciados sob suspeita de homicídio. Eles estão presos em Bangu 8.


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