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Conflito no centro histórico do Recife deixa dez feridos

Confrontos envolveram manifestantes contra projeto imobiliário e polícia

Caos assustou turistas a caminho de festa da Copa; ativistas dizem que foram chicoteados pela PM, que nega

DANIEL CARVALHO DO RECIFE

Ao menos dez pessoas ficaram feridas e seis foram detidas em confrontos após a reintegração de posse de uma área invadida por ativistas no centro histórico do Recife.

A confusão começou por volta das 5h30, quando homens do Batalhão de Choque e da Cavalaria chegaram ao cais José Estelita, um terreno de 100 mil m² (ou dez campos de futebol) à margem do rio Capibaribe ocupado há 26 dias por integrantes do movimento Ocupe Estelita.

A área pertence ao consórcio Novo Recife, formado por grandes empreiteiras que pretendem construir 12 torres de 40 andares no local.

Os ativistas são contra o projeto, que para eles descaracteriza o centro histórico.

Cerca de 50 manifestantes dormiam quando a polícia chegou. Segundo eles, os policiais deram cinco minutos para que saíssem e, em seguida, atiraram bombas de efeito moral e balas de borracha e investiram com chicotes.

A PM nega o uso de chicotes e afirma que o prazo dado foi de uma hora.

Diversos ativistas tiveram ferimentos provocados por estilhaços de bombas de efeito moral e balas de borracha.

"Levei uma cacetada e fui empurrada. Havia o objetivo de usar violência contra os ativistas pacíficos", diz Liana Cirne, advogada do grupo.

Segundo ela, o governo descumpriu acordo de avisar sobre a reintegração 48 horas antes. O governo disse que a ação teve "amparo legal".

Durante o dia, houve mais quatro conflitos. A Folha viu quando um PM jogou spray de pimenta no rosto de um ativista que estava sentado.

Também houve bombas e tiros quando ativistas impediram a entrada de máquinas no terreno, cuja obra foi embargada pela Justiça Federal.

Policiais atiraram contra aglomerações. Revoltados, os ativistas bloquearam os dois sentidos do viaduto que liga o centro à zona sul da cidade. Muitos estavam mascarados.

Ao menos um ônibus e um carro foram apedrejados.

Turistas que tentavam chegar à Fan Fest, evento organizado para transmitir o jogo entre Brasil e México, desceram do ônibus e foram a pé.

"Pensávamos que era um país mais de paz. Estamos muito assustados", afirmou a costa-riquenha Astrid Bins.

O promotor de Justiça Maxwell Vignóli criticou a polícia. "Nunca vi isso. Fui afastado com bombas de efeito moral e outros artifícios", disse.

A Anistia Internacional pediu "investigação imediata dos abusos" da PM.

O consórcio disse, em nota, que a ocupação é ilegal e o fato de os ativistas não acatarem a ordem judicial resultou no uso da força policial.

O governo disse que excessos de ambas as partes serão investigados e punidos.


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