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Escolas tentam restringir uso de aplicativo que espalha 'segredos'

Instalado em celulares, Secret permite compartilhamento de fotos e textos de forma anônima

Aluna do Dante saiu do colégio após ter fotos íntimas divulgadas; Bandeirantes vetou acesso ao dispositivo

THAIS BILENKY DE SÃO PAULO

Escolas particulares de São Paulo tiveram de reagir às pressas à invasão de uma rede social que preserva o anonimato do usuário, o Secret ("segredo" em inglês).

Pelo aplicativo para smartphones, o internauta pode compartilhar fotos e mensagens de texto com seus amigos sem se identificar.

Adolescentes aproveitam a deixa para constranger colegas. Conteúdos que antes circulavam por WhatsApp (aplicativo de mensagens instantâneas) agora caem na rede.

No colégio Santa Cruz, em Alto de Pinheiros, uma professora foi xingada pelo aplicativo. A foto de um estudante nu foi publicada acompanhada de palavrões.

A escola decidiu alertar os alunos sobre os danos que atitudes como aquelas causam na vida da vítima e na do autor. No nono ano, estudantes fizeram uma votação simbólica sobre a "legalidade" do Secret. Decidiram que deveria ser excluído.

A polêmica chegou aos tribunais. Na terça-feira (19), a Justiça do Espírito Santo, em decisão liminar (provisória), mandou Google e Apple suspenderem em dez dias a venda do Secret e o removerem remotamente dos aparelhos em que está instalado. Até a conclusão desta edição, só a Apple havia acatado a ordem.

Tarde demais para conter o dano causado pelo uso do aplicativo no colégio Dante Alighieri, no Jardim Paulista. Nesta semana, uma estudante do primeiro ano do ensino médio cancelou sua matrícula após ter imagens íntimas com o namorado divulgadas na rede, acompanhadas de comentários desrespeitosos.

Após o episódio, a adolescente teve uma crise nervosa em sala de aula e foi levada em cadeira de rodas ao hospital. Colegas especularam se ela teria usado drogas, o que seus pais desmentiram com exames. Procurado, o Dante não se pronunciou.

Fotos da aluna circularam em diversas outra escolas, como o Bandeirantes, na Vila Mariana. Ali, a direção do colégio bloqueou o acesso ao Secret pela rede wi-fi local.

Cristiana Assumpção, coordenadora de tecnologia educacional, pediu que professores e uma advogada falassem aos alunos sobre os riscos que eles correm --inclusive de se verem envolvidos com pornografia infantil e processos por calúnia, injúria e difamação. A escola também alertou a Apple sobre a confusão.

Lançado nos Estados Unidos em fevereiro, o Secret chegou ao Brasil três meses depois. Segundo os fundadores, o objetivo era criar uma rede de autoajuda, em que as pessoas pudessem pedir conselhos sem ter que se expor.


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