|
Texto Anterior | Próximo Texto | Índice
Balança tem o menor superávit em seis anos
Sob influência da crise mundial e do aumento das importações, saldo comercial recua 38% em 2008, para US$ 24,7 bi
Compras externas sobem 43,6%, ante alta de 23,2%
nas vendas, mas ritmo cai no
final do ano; governo prevê
1º trimestre "muito difícil"
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Afetada pela crise mundial e
pela disparada das importações, a balança comercial brasileira encerrou 2008 com o pior
resultado em seis anos. Pela segunda vez consecutiva, o saldo
do comércio entre o Brasil e o
resto do mundo encolheu, para
fechar o ano em US$ 24,7 bilhões -o que representa uma
queda de 38,2% em relação ao
superávit de 2007, que havia sido de US$ 40 bilhões.
Diante da instabilidade no
cenário internacional, o Ministério do Desenvolvimento prevê que o primeiro trimestre
deste ano será "muito difícil" e
evitou fixar uma meta para as
exportações brasileiras em
2009. Segundo o Desenvolvimento, a grande volatilidade
dos preços, principalmente das
commodities, como o petróleo,
impede a definição de um patamar de vendas para o exterior.
Em um recado indireto ao
Ministério da Fazenda, a pasta
comandada por Miguel Jorge
cobrou novas medidas de desoneração para os exportadores
como forma de atenuar os efeitos da crise.
"Novembro e dezembro foram trágicos para o mundo inteiro. O Brasil foi afetado, mas
não tanto quanto outros países.
O ano de 2009 vai ser difícil. O
exportador terá de ter muita
imaginação", afirmou o secretário de Comércio Exterior,
Welber Barral, dizendo que
uma recuperação só é esperada
para o segundo semestre.
A redução do saldo comercial
em 2008 pesará no fechamento
da contabilidade do país. A conta de transações correntes (movimento de mercadorias e serviços entre o Brasil e o exterior), que será divulgada no final deste mês, mostrará que o
Brasil fechou o ano com o primeiro déficit do governo Lula.
Valor x quantidade
Sem estabelecer metas, Barral disse acreditar que o Brasil
manterá neste ano a quantidade exportada em 2008 (460 milhões de toneladas). "Há uma
preocupação com a queda do
valor exportado, por conta da
queda nos preços. Mas a quantidade devemos manter."
Na avaliação do governo, de
janeiro a outubro do ano passado o comércio exterior viveu
um período "excepcional", com
aumento de exportações e importações. Isso fez com que em
2008 tanto o volume de vendas
quanto o de compras de outros
países batessem recorde.
No resultado do ano, as exportações somaram US$ 197,9
bilhões (crescimento de
23,2%), e as importações, US$
173,2 bilhões (aumento de
43,6%).
Apesar disso, a última meta
fixada pelo governo para as exportações não foi atingida. A
projeção de setembro apontava
para um total de US$ 202 bilhões de vendas para outros
países em 2008. "Já era a quarta revisão da meta e ficamos
abaixo apenas 2%", afirmou o
secretário.
Ele disse ainda que houve
importante crescimento nas
vendas de produtos básicos e
semimanufaturados no ano
passado. O crescimento foi verificado principalmente nas exportações para países emergentes.
Já no caso das importações,
entre janeiro e outubro houve
forte alta nas compras do exterior em todos os itens da pauta
de importações, com destaque
para bens de capital.
Fluxo menor
Nos dois últimos meses do
ano, no entanto, o fluxo de comércio entre o Brasil e os outros países despencou. Exportações e importações foram
afetadas pela crise mundial devido à queda nos preços das
commodities, à desvalorização
do real e à redução da demanda
por produtos.
A expansão das exportações
foi 29 pontos percentuais menor em relação ao período janeiro-outubro. A quantidade
exportada caiu 16% na comparação com novembro/ dezembro de 2007. Excluindo minério de ferro, houve aumento de
6,1% na quantidade, mas queda
tanto no preço médio quanto
no valor das exportações (6,8%
e 1,1%, respectivamente).
Já as importações apresentaram desaceleração nos últimos
dois meses do ano passado.
Houve queda de 42,6 pontos
percentuais na expansão em
relação ao período janeiro-outubro. "Já é visível que a desvalorização do real levou a uma
substituição das importações",
disse o secretário.
Para Barral, o Brasil sofreu
até agora menos com a crise do
que outros países. Em novembro, por exemplo, o país conseguiu exportar 5% a mais que no
mesmo mês de 2007. China,
Argentina e Chile apresentaram resultado negativo.
"Isso mostra que foi acertada
a decisão do Brasil de diversificar a sua pauta de exportações e
os mercados de destino", disse.
Texto Anterior: Mercado Aberto Próximo Texto: Frases Índice
|