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Justiça pede dados sobre Telecom Italia
TRF solicita à Justiça italiana documentos da investigação sobre suposta rede de espionagem e pagamentos ilegais montada por tele
Senador do PFL esteve na Itália buscando informações da investigação de procuradores de Milão que gerou novas prisões ontem
JANAÍNA LEITE
DA REPORTAGEM LOCAL
A 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região decidiu ontem, por unanimidade,
requisitar oficialmente da Justiça italiana documentos relativos às investigações de suposta
espionagem e supostos pagamentos ilegais feitos pela Telecom Italia no Brasil. Os magistrados, baseados em reportagens da Folha, também determinaram que o Ministério Público Federal tome providências para apurar possíveis ilegalidades promovidas pela tele
no Brasil. Procurada, a Telecom Italia preferiu não comentar o assunto.
A sentença foi originada a
partir do voto da desembargadora Cecília Mello, relatora do
processo de abertura do disco
rígido do banco Opportunity
(leia texto abaixo). A Telecom
Italia é dona de duas operadoras no Brasil: a TIM (telefonia
móvel) e a Brasil Telecom (fixa). Na Itália, é investigada
porque a polícia descobriu que
funcionários da operadora
montaram grande rede de espionagem -mais de 2.000 pessoas, segundo os procuradores,
teriam sido monitoradas.
O caso resultou na prisão,
ontem, de Marco Mancini, segundo homem na hierarquia da
Sismi, o serviço secreto militar
da Itália. Além dele, foram encarcerados o chefe mundial de
Segurança da Telecom Italia,
Giuliano Tavaroli, e o detetive
particular Emanuele Cipriani,
até então em prisão domiciliar.
Em setembro, outras 20 pessoas haviam sido detidas.
Uma das principais testemunhas do Ministério Público italiano é o ex-investigador Mario
Bernardini, que concordou em
relatar detalhes dos esquemas
engendrados dentro da Telecom Italia em troca de não ser
preso. Em entrevista à Folha,
ele sustentou o que havia dito
aos procuradores: no Brasil, o
chefe de segurança da tele ordenou a espionagem de ministros, banqueiros, jornalistas,
executivos e concorrentes da
Pirelli. Disse ainda que a tele
italiana mantinha um esquema
de pagamentos a políticos e
servidores públicos por meio
de advogados e consultores.
À época, a tele preferiu não
comentar as declarações.
O assunto não deverá ficar
restrito ao Judiciário. A Folha
apurou que parlamentares brasileiros também pediram a remessa das informações, inclusive a íntegra dos depoimentos,
à Italia. Na semana passada, o
senador Heráclito Fortes
(PFL-PI) viajou ao país para
pedir ajuda a parlamentares.
A possibilidade de as investigações do Ministério Público
de Milão transformarem-se em
arma para a oposição preocupou o governo. A Folha apurou
que o ministro Tarso Genro,
que está na Itália desde o dia 7,
pediu para ser informado sobre
o assunto. Genro é cotado em
Brasília com um dos possíveis
substitutos do atual ministro
da Justiça, Márcio Thomaz
Bastos -um dos nomes que, de
acordo com Bernardini, foram
espionados no Brasil.
Bernardini disse à Folha, em
outubro, que a Telecom Italia
teria autorizado o monitoramento de Bastos e do ministro
Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) por causa da sua
disputa com o Opportunity pelo controle da Brasil Telecom.
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