São Paulo, quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

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Justiça pede dados sobre Telecom Italia

TRF solicita à Justiça italiana documentos da investigação sobre suposta rede de espionagem e pagamentos ilegais montada por tele

Senador do PFL esteve na Itália buscando informações da investigação de procuradores de Milão que gerou novas prisões ontem


JANAÍNA LEITE
DA REPORTAGEM LOCAL

A 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região decidiu ontem, por unanimidade, requisitar oficialmente da Justiça italiana documentos relativos às investigações de suposta espionagem e supostos pagamentos ilegais feitos pela Telecom Italia no Brasil. Os magistrados, baseados em reportagens da Folha, também determinaram que o Ministério Público Federal tome providências para apurar possíveis ilegalidades promovidas pela tele no Brasil. Procurada, a Telecom Italia preferiu não comentar o assunto.
A sentença foi originada a partir do voto da desembargadora Cecília Mello, relatora do processo de abertura do disco rígido do banco Opportunity (leia texto abaixo). A Telecom Italia é dona de duas operadoras no Brasil: a TIM (telefonia móvel) e a Brasil Telecom (fixa). Na Itália, é investigada porque a polícia descobriu que funcionários da operadora montaram grande rede de espionagem -mais de 2.000 pessoas, segundo os procuradores, teriam sido monitoradas.
O caso resultou na prisão, ontem, de Marco Mancini, segundo homem na hierarquia da Sismi, o serviço secreto militar da Itália. Além dele, foram encarcerados o chefe mundial de Segurança da Telecom Italia, Giuliano Tavaroli, e o detetive particular Emanuele Cipriani, até então em prisão domiciliar. Em setembro, outras 20 pessoas haviam sido detidas.
Uma das principais testemunhas do Ministério Público italiano é o ex-investigador Mario Bernardini, que concordou em relatar detalhes dos esquemas engendrados dentro da Telecom Italia em troca de não ser preso. Em entrevista à Folha, ele sustentou o que havia dito aos procuradores: no Brasil, o chefe de segurança da tele ordenou a espionagem de ministros, banqueiros, jornalistas, executivos e concorrentes da Pirelli. Disse ainda que a tele italiana mantinha um esquema de pagamentos a políticos e servidores públicos por meio de advogados e consultores.
À época, a tele preferiu não comentar as declarações.
O assunto não deverá ficar restrito ao Judiciário. A Folha apurou que parlamentares brasileiros também pediram a remessa das informações, inclusive a íntegra dos depoimentos, à Italia. Na semana passada, o senador Heráclito Fortes (PFL-PI) viajou ao país para pedir ajuda a parlamentares.
A possibilidade de as investigações do Ministério Público de Milão transformarem-se em arma para a oposição preocupou o governo. A Folha apurou que o ministro Tarso Genro, que está na Itália desde o dia 7, pediu para ser informado sobre o assunto. Genro é cotado em Brasília com um dos possíveis substitutos do atual ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos -um dos nomes que, de acordo com Bernardini, foram espionados no Brasil.
Bernardini disse à Folha, em outubro, que a Telecom Italia teria autorizado o monitoramento de Bastos e do ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) por causa da sua disputa com o Opportunity pelo controle da Brasil Telecom.


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