São Paulo, terça-feira, 14 de outubro de 2008

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Agrofolha

Agricultura prepara novas medidas contra a crise

Entre elas, está a colocação de cerca R$ 5 bilhões em crédito de bancos privados

Ex-ministro da pasta, Roberto Rodrigues afirma que crise dos mercados financeiros pode prejudicar a safra de 2010 no país

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
DA SUCURSAL DO RIO

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, anunciou ontem que duas medidas devem ser anunciadas nesta semana pelo governo federal para amenizar a falta de crédito causada pela crise do sistema financeiro internacional.
A primeira delas é colocação de cerca R$ 5 bilhões de bancos privados à disposição dos produtores para a retirada de créditos para financiar o plantio da atual safra. Isso ocorreria por meio da diminuição da alíquota dos depósitos compulsório, medida que encontrava resistência no Tesouro.
"Possivelmente isso será aprovado no decorrer desta semana", disse o ministro, que colocou na mesma probabilidade o pedido feito no final da semana passada pela CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária) de desclassificação do risco daqueles que renegociaram as suas dívidas.
Os produtos endividados dizem que, por conta dessas parcelas a pagar, têm encontrado dificuldades nos bancos para captar recursos para financiar a nova safra.
De acordo com o ministro, cerca de 20% dos produtores estão nessa situação, o que, segundo ele, deve levar à aprovação da desclassificação do grau de risco em reunião extraordinária do CMN (Conselho Monetário Nacional) que pode ser agendada para amanhã.
Outro pedido da CNA, o de prorrogar para maio a parcela da renegociação da dívida que vence neste mês, não deve ser aprovado. Apesar da falta de crédito, o governo, os produtores e o Banco do Brasil não acreditam em queda na produção de grãos na safra 2008/ 2009. "Temos 2.000 agências no país ligadas diretamente ao setor. Nelas, o clima por enquanto é de manutenção do ritmo da safra passada. Todos estão plantando", disse o vice-presidente de agronegócio do BB, o ex-ministro da Agricultura Luís Carlos Guedes Pinto.

Rodrigues
No Rio, o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues afirmou ontem que a crise dos mercados financeiros pode prejudicar a safra de 2010. Segundo ele, a de 2009 já está sendo plantada e os insumos foram comprados no primeiro semestre, quando os preços estavam adequados para o setor.
"Para 2010, pode haver um problema na hipótese de descasamento da renda na colheita da safra do ano que vem", disse, durante evento.
De acordo com Rodrigues, a crise afeta o país de duas formas, tanto por meio do custo mais alto de produção, com gastos mais elevados com fertilizantes, quanto pelo estrangulamento do crédito.
"Temos um descasamento direto aí, afetado depois pela crise, com redução de ACC [Adiantamento de Contrato de Câmbio] e com a redução de financiamento das multinacionais. O resumo da ópera é uma safra mais cara, com menos crédito", disse. Para ele, se a crise persistir por mais tempo, o poder de compra dos países emergentes pode ser afetado, o que teria impacto sobre o consumo dos alimentos e levaria a uma queda dos preços de commodities agrícolas.
Para Rodrigues, o governo deveria fazer valer a lei dos preços mínimos, recalculando agora os valores com base nos novos custos de produção e colocando recursos do orçamento para que a lei seja cumprida na colheita. "Existe uma lei muito antiga, dos anos 1970, que estabelece que, quando os preços de mercado caem abaixo do custo de produção, o governo paga ou a diferença ou compra o produto, tirando do mercado e fazendo a regulação entre oferta e demanda", disse.


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