São Paulo, terça-feira, 17 de abril de 2007

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Para 65%, não houve melhora na renda e no emprego neste ano, aponta pesquisa

FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL

A maioria dos brasileiros não sentiu melhora no emprego e na renda neste ano, apesar de o governo prever expansão maior da economia para 2007.
Levantamento da Ipsos/Opinion com mil consumidores entre os dias 23 e 30 de março deste ano mostra que 65% deles não sentiram melhora no emprego e na renda. Para 29% deles houve melhora. E 6% delas não souberam informar.
Nas regiões Sudeste e Sul, o percentual das pessoas que não viram melhora no emprego e na renda sobe para 71% e 73%, respectivamente. Isto é, os consumidores das regiões mais ricas sentem menos os efeitos de eventual melhora na economia.
Nas regiões Norte e Nordeste e Centro Oeste, a Ipsos/Opinion constatou, a pedido do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), que são menores os percentuais de consumidores que não sentiram efeito na renda e no emprego -os percentuais são 51% e 60%, respectivamente.
"Esse levantamento reflete o efeito do Bolsa Família nessas regiões", diz Carlos Cavalcanti, economista-chefe do Ciesp.
O rendimento real do trabalhador subiu 7,2% e o emprego, 2,3%, no acumulado de 12 meses terminados em fevereiro deste ano em seis regiões metropolitanas do país, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) realizada pelo IBGE.
"Só que o aumento da renda está localizado em alguns setores. A classe média que trabalha nas usinas de açúcar e álcool teve melhor desempenho de renda, assim como quem tem acesso a programas sociais. A agricultura e a construção civil estão se recuperando. Mas essa situação não é generalizada", diz Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.

Expectativa e consumo
A Ipsos/Opinion também constatou que o consumidor tem expectativa de melhora ao longo deste ano. Para 38%, há mais esperança de melhora no emprego e na renda do que havia no ano passado. Para 9%, a expectativa é de piora e, para 49%, a situação neste ano fica parecida com a de 2006.
Os consumidores, segundo constata a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), parecem mais dispostos a gastar. Na primeira quinzena deste mês, a média diária de consultas ao SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), termômetro das vendas a prazo, subiu 5,5% sobre igual período de 2006. A média diária de consultas ao Usecheque, indicador das vendas à vista, subiu 4,9%, no período.
"O consumidor parece mais disposto a gastar neste mês", afirma Emílio Alfieri, economista da ACSP. No primeiro trimestre deste ano, as consultas ao SPC subiram 4,7% e, ao Usecheque, 3,4%.
Se a renda e o emprego não melhoram na vida da maioria dos consumidores, como pode o consumo subir? "A mágica está na oferta de crédito, que não pára de crescer, e no alongamento dos prazos de financiamento. O consumo cresce por meio do endividamento das famílias", afirma Cavalcanti.
A ACSP constata alta da inadimplência do consumidor. Na primeira quinzena deste mês, o número de carnês em atraso subiu 7,9% em relação a igual período de 2006.


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