São Paulo, sexta-feira, 18 de agosto de 2006

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Líder da Opep admite álcool na gasolina

Andre Penner/Associated Press
Edmund Daukoru, presidente da Opep, em visita a centro de tecnologia de cana em Piracicaba


Para presidente da entidade, adição do produto, "discreta e moderada", pode ser feita no mundo todo no longo prazo

No centro de tecnologia canavieira que Edmund Daukoru visitou, gerente estimou que mistura de etanol pode ser de 5% a 10%


MAURÍCIO SIMIONATO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PIRACICABA

O presidente da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e ministro do Petróleo da Nigéria, Edmund Daukoru, disse ontem em Piracicaba (interior de São Paulo) que o etanol (álcool) pode ter uma "discreta e moderada" mistura à gasolina em todo o mundo a longo prazo. Para ele, o produto extraído da cana-de-açúcar tem a vantagem de ser energia limpa e de baixo custo.
"Todos os países podem adicionar uma discreta e moderada quantia de álcool na gasolina", disse Daukoru. "O etanol é menos agressivo para o ambiente e a Nigéria gostaria de fazer mais pesquisas. Teríamos muito interesse em estudar mais a cana-de-açúcar."
Para ele, não deve ocorrer "uma mudança dramática na matriz energética com a opção pelo álcool a médio prazo".
Daukoru visitou na manhã de ontem o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), uma associação civil criada em 2004 para desenvolver tecnologias da cultura de cana-de-açúcar e da produção de açúcar e álcool. Ele também visitou uma usina.
A visita foi organizada pela Petrobras, segundo o CTC. O presidente da Opep demonstrou interesse em incentivar parcerias entre os governos e o setor privado do Brasil e da Nigéria. "[O etanol] Seria um grande elemento para a composição energética global e a Nigéria tem grande interesse no cultivo de cana-de-açúcar", disse Daukoru, que também é presidente do Comitê de Implantação de Etanol na Nigéria.
Durante a visita ao CTC, ele conheceu processos de produção do etanol e a tecnologia de pesquisas e desenvolvimento.
"Os governos podem criar condições para que instituições privadas façam alianças para a tecnologia de cana-de-açúcar. Espero que os governos criem melhores condições para o setor privado", disse Daukoru.
Ele não especificou datas e quantias para uma futura adição do etanol à gasolina em escala mundial, mas, para o gerente do CTC, Jaime Finguerut, pode-se entender por uma mistura "moderada" a inclusão de 5% a 10% de etanol na composição da gasolina.
"Ele [Daukoru] falou que todos os países do mundo podem usar álcool na gasolina. Ele falou sobre discreta e moderada mistura de álcool no mundo inteiro. Pode ser de 5% a 10%. Mas nós não temos álcool no mundo todo para isso. Hoje, o álcool total do Brasil e dos EUA, que são os dois grandes produtores, seria suficiente para misturar 2% de álcool na gasolina do mundo", disse Finguerut.
Conforme o gerente do CTC, apesar de a produção não ser suficiente para suportar uma adição "moderada", tanto Brasil como EUA têm condições de dobrar ou até multiplicar por cinco a produção até 2020. "Mesmo assim, vai depender de muito investimento até lá."

Petróleo
O presidente da Opep também arriscou uma previsão de que o preço do barril do petróleo deve ficar estável neste ano. Na Bolsa de Nova York, o barril para entrega em setembro fechou ontem a US$ 70,06. Para ele, não há cenários que possam influir sobre as cotações.
Para Daukoru, a variação do preço do barril não está só ligada a temas como guerras e desastres naturais como a problemas com o aumento da capacidade de refino e de demanda.
"O aumento na demanda é reflexo do crescimento da economia de países como China e Índia, que são economias em desenvolvimento. Vejo pressão constante na demanda, que é limitada por causa da capacidade de refinamento."


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