São Paulo, terça-feira, 28 de julho de 2009

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agrofolha

Exportar gado vivo diminui perdas no Pará

Levantamento indica que preço da arroba caiu menos na região que mais abastece envio de bovinos para outros países

Indústria frigorífica nacional se queixa da concorrência de importadores; segundo consultoria, criador recebe até 30% mais ao exportar

GITÂNIO FORTES
DA REDAÇÃO

Negócio que a pecuária brasileira descobriu apenas nesta década, a exportação de gado vivo manteve no primeiro semestre deste ano um ritmo firme de embarques. Em relação ao período de janeiro a junho de 2008, houve crescimento de 30,1% no total de bovinos vendidos ao exterior. A receita alcançou US$ 183,037 milhões, aumento de 26,7%.
O Pará concentra as exportações de gado vivo do país. Contribui para isso a proximidade com a Venezuela, o principal comprador, que adquiriu dois terços dos bovinos exportados pelo Brasil na primeira metade do ano. O Líbano apareceu em seguida, com 32% dos negócios. Agora em 2009 também foram fechadas vendas para o Egito.
Levantamento da Scot Consultoria comprovou por que os embarques do chamado "boi em pé" são cada vez mais relevantes. No auge da crise da pecuária paraense no mês passado, quando as principais redes varejistas do país anunciaram a interrupção de compra de carne do Estado por questões ambientais, o preço da arroba caiu menos na região que abastece os portos da região, relata a analista Maria Gabriela Tonini.
De 10 a 25 de junho a cotação em Paragominas recuou 2,8%, de acordo com os dados da Scot. Em Redenção e em Marabá, municípios localizados mais ao sul do Pará, os preços cederam mais -5,7% e 7%, respectivamente. Ontem, segundo a consultoria, os preços no Estado oscilaram de R$ 66 a R$ 69. Em São Paulo, a arroba ficou em torno de R$ 80. A diferença se explica pela distância das indústrias paraenses dos principais centros consumidores de carne bovina do país.

Controvérsia
Péricles Salazar, presidente da Abrafrigo (Associação Brasileira da Indústria Frigorífica), qualifica a exportação de gado vivo como retrocesso, por "não agregar valor" à cadeia produtiva. Salazar diz temer que a prática se espalhe, "num momento em que o rebanho nacional diminui, pela preferência do produtor por outras atividades".
O presidente do Fórum da Pecuária de Corte da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Antenor Nogueira, descarta esse risco no momento. "O rebanho se concentrou no Centro-Oeste, longe dos portos. O custo para exportar de lá é muito alto."
Nogueira atribui a adesão dos paraenses ao embarque de bovinos vivos a um "movimento de mercado". Segundo a consultoria AgraFNP, os importadores costumam pagar prêmio na faixa de 20% a 30% em relação ao preço local.


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