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Juca Kfouri

Falido e mal pago

Foram sábias as palavras do cartola corintiano. Pena que ditas com considerável atraso

ROBERTO DE ANDRADE, homem forte do futebol corintiano, e mais provável futuro presidente do clube, disse que o futebol sul-americano está falido.

Disse mais: que o futebol brasileiro está falido.

E disse mais ainda: que o futebol paulista está falido.

O cartola alvinegro tem razão na primeira afirmação.

O cartola alvinegro também tem razão na segunda afirmação.

E o cartola alvinegro tem razão ainda na terceira afirmação.

O melhor é que o presidente Mário Gobbi concorda com ele.

E o melhor ainda é que o ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, também concorda.

Andrade deu a cara a tapa, Gobbi é mais discreto, e Sanchez é escancarado. Mas os três, e a torcida brasileira, sabem que a falência da Conmebol, da CBF e da FPF não foi decretada na semana passada pelo juiz Amarilla.

Ela vem de anos, ou melhor, de décadas.

Já se disse aqui que era difícil para o Corinthians denunciar os horrores da Libertadores antes de ganhá-la. Soaria como desculpa e seria objeto de escárnio até o dia 4 de julho de 2012, quando a taça foi conquistada sem nem sequer uma derrota e limpamente.

A partir daquele dia nenhum outro clube na América tinha tanta autoridade moral para propor uma revolução saneadora ou abdicar da disputa em 2013.

Dizer só agora o que já pensava então soa como chororô, por mais que não seja.

Pior: ao eleger a Copa do Brasil como prioridade fica claro que a meta é garantir, pelo caminho menos difícil, a volta exatamente ao torneio falido e que mal paga.

Assim, nada mudará.

Houve, no século passado, um dirigente que teve coragem de peitar a CBF e até a Fifa. Nem por isso seu clube, respaldado pela torcida, deixou de ganhar títulos e se impor.

Atendia pelo nome de Márcio Braga e comandava o Flamengo, mas não resistiu à passagem do milênio e aderiu aos que combatia, a ponto de propor a permanência de Ricardo Teixeira na CBF, razão pela qual foi rebatizado por quem o admirava. Passou a ser chamado de ex- -Márcio Braga.

O futebol paulista espera por seu Borba Gato.

O futebol brasileira aguarda seu dom Pedro 1º.

O futebol sul-americano almeja um Bolívar.

Simbolicamente, é claro, porque o importante é que surja alguém com coragem de botar o guizo no gato e que tenha a cabeça que a gestão do futebol exige.

Que compatibilize nosso calendário ao mundial.

Que reformule os campeonatos estaduais.

Que profissionalize a arbitragem e lhe dê independência.

Que estabeleça o rito sumário na Justiça esportiva.

Que combata a violência com inteligência.

Que lute pela adoção da arbitragem eletrônica.

Que, enfim, goste mais de futebol que do próprio umbigo e, principalmente, do próprio bolso, embora deva ser regiamente remunerado para cumprir esta pauta tão extensa e óbvia.


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