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Juca Kfouri

Comendo a Conmebol

A entidade que representa o futebol sul-americano não é melhor nem pior que a CBF ou que a Fifa

JOSÉ MUJICA, o presidente do Uruguai, não gosta de Eugenio Figueredo, o uruguaio que preside a Confederação Sul-Americana de Futebol, cujo acrônimo Conmebol é a abreviação telegráfica de CONfederação Sul-AMEricana de FuteBOL.

Ao contrário de seu antecessor Nicolas Leoz, de quem é possível ouvir elogios de algum paraguaio, é difícil achar um uruguaio que elogie Figueredo. Não ria dos paraguaios, por favor, porque, no Brasil, não são poucos os que ainda têm João Havelange em boa conta.

O importante é que surgiu quem queira começar a comer a Conmebol pelas beiradas.

Pena que, como é usual no mundo do futebol, a motivação seja menos em defesa da ética, mas negocial, como se viu na semana que passou na reunião organizada por uma empresa uruguaia --assim como se a Traffic liderasse uma campanha pela moralização do futebol brasileiro. O conflito de interesses é escandaloso.

Não que não haja entre os participantes da reunião gente com a melhor das intenções, mas não é o caso da Tenfield, do empresário Paco Casal, nascido no Brasil e criado no Uruguai, que se diz o homem mais rico do país e que é tido como o dono do futebol uruguaio, por ser o empresário de seus principais jogadores e por exercer o monopólio dos direitos de TV, com sua Gol TV, repeteco piorado do que já conhecemos. A menos que se adote a posição de ter como amigo quem é inimigo de seu inimigo, Casal não é solução, é mais problema.

O que não invalida a denúncia que fez, do sumiço de cerca de R$ 300 milhões do balanço da Conmebol e da perda de mais de R$ 1 bilhão pelos clubes na Libertadores pois a entidade não aceitou sua proposta pelos direitos de transmissão, ao preferir negociá-los com os amigos.

Situação que nada mais é do que um repeteco do que se deu na Fifa no começo deste século, quando a gigante de marketing esportivo, IMG, denunciou ter feito uma proposta que dobrava o que a ISL pagou para manter os direitos da Copa do Mundo.

Ali começou a derrocada da ISL que, como se sabe, pagava propinas generosas a cartolas, brasileiros inclusive, e a operação mãos limpas da Fifa, que entregou alguns de seus anéis para tentar manter os dedos, embora esteja longe de ter completado a limpeza.

Não está no horizonte o dia em que se poderá olhar para a Fifa, Conmebol ou a CBF, como organizações dignas de crédito, tal é o trabalho que precisa ser feito para mudar o modo como são eleitos seus cartolas, todos de biografias manchadas, geralmente com mais de 80 anos.

E não será pela idade que se fará a purificação, mas pela democratização do sistema eleitoral, que começa na base, numa palavra, nos clubes, invariavelmente temerosos de mexer com o que está estabelecido.


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