Saltar para o conteúdo principal Saltar para o menu
 
 

Lista de textos do jornal de hoje Navegue por editoria

Esporte

  • Tamanho da Letra  
  • Comunicar Erros  
  • Imprimir  

Juca Kfouri

E pur si muove

As coisas estão acontecendo no esporte brasileiro. Devagar, mas acontecendo. E na direção mais correta

ALGUÉM DISSE que o Brasil nunca mais seria o mesmo depois das manifestações de junho.

Tudo indica que acertou.

Não só no geral como também no esporte que, se você não sabe, não faz parte do geral, é um mundo diferente, uma instituição mais resistente em seu reacionarismo e práticas corruptas.

No entanto, também no esporte a paralisia que interessa ao que está estabelecido tem sido abalada, seja por movimentos da base (Atletas pelo Brasil, Bom Senso F.C.) seja por ações do governo federal.

Nos últimos dias avançou-se muito, tanto que, se fosse velocidade constante, o país já estaria em outro patamar esportivo, não só no aspecto formal/legal como nos resultados alcançados.

A democracia é um péssimo regime, mas ainda não inventaram nenhum melhor, disse Winston Churchill.

A democracia é péssima porque exige paciência, negociação. Nada se resolve rapidamente, não tem vapt-vupt. É tudo lento, sujeito a recuos, idas e voltas, dois passos à frente, um passo atrás e, não obstante, se move.

A APO, por exemplo.

A boa ideia que deu tão certo na Olimpíada de Londres, por aqui não ia nem vinha, sabotada pelos senhor dos anéis --olímpicos-- Carlos Nuzman, presidente do COB e do CoRio-16, pelo prefeito carioca e pelo governador fluminense.

Mesmo um executivo experiente como o ex-ministro da Cidades, Márcio Fortes, não conseguiu exercer o papel de Autoridade Pública Olímpica e abandonou a raia.

Durante quase dois meses, o posto ficou vago e dado como extinto pelo triunvirato que não quer ninguém por perto, mesmo que seja o representante de quem paga a conta, quer dizer, intermedeia o pagamento, porque quem paga somos nós.

Eis que a presidente da República não estava achando nenhuma graça, assim como o Tribunal de Contas da União e, de repente, mas nem tão de repente para quem acompanha esta coluna, o poder do general da banda foi substituído por o de um general de verdade, o presidente da Comissão Desportiva Militar, general Fernando Azevedo e Silva, homem de confiança de Dilma Rousseff --dela, não do ministro do Esporte, que preferia alguém mais maleável, oriundo do próprio ministério.

Em bom português, por mais que se negue diplomaticamente, a presidente entrou de sola, disposta a mostrar quem manda no pedaço e nomeou alguém que já teve grandes embates com Nuzman.

Assim como no caso do fim das reeleições intermináveis nas entidades esportivas, da discussão do calendário do futebol brasileiro, agora voltada para a elite e para os boias-frias, porque enquanto uns jogam demais outros atuam de menos, a APO adquire a importância devida, deixa de ser coisa para inglês ver, passa a ser para brasileiro fazer e fazer bem-feito.

Quem não quis entregar os anéis pode perder os dedos.


Publicidade

Publicidade

Publicidade


 

Voltar ao topo da página