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Juca Kfouri

Paulo Roberto Falcão, 60

O tempo passa, como diria o narrador, e o Rei de Roma é o mais novo sexagenário do futebol brasileiro

NA MINHA SELEÇÃO de todos os tempos tem um lugar para Falcão.

Tanto para o Falcão tricampeão brasileiro no Inter, quanto para o da seleção brasileira de 1982, assim como para o que foi aclamado Rei de Roma, ao levar o time grená da capital italiana, depois de 40 anos de jejum, ao título nacional na temporada de 1982/83.

De tão elegante, Falcão não precisava sujar o calção e, segundo o Doutor Sócrates, "ninguém percebia, mas ele jogava de smoking".

Se não bastasse, o catarinense, que muitos acham ser gaúcho, ainda é capaz de filosofar, mesmo bem antes de fazer 60 anos, completados ontem.

É dele a frase "só o jogador de futebol morre duas vezes, e a primeira morte é a mais sofrida, ao pendurar as chuteiras".

Ousado, no ano passado, quando dirigiu e foi campeão estadual pelo Bahia depois de 11 temporadas sem títulos, Falcão confirmou em entrevista a esta Folha que prefere perder jogando bonito que vencer jogando feio.

O chileno Dom Elias Figueroa, outro de minha seleção de todos os tempos, conta que percebeu o tamanho da fera que seria seu companheiro naquele Colorado inesquecível quando, no primeiro treino de Falcão entre os titulares, deu-lhe uma bronca por causa de uma firula no meio de campo e ouviu de volta: "Joga o teu jogo que eu jogo o meu", algo nunca dantes dito a ele, capitão do time gaúcho.

São muitas as histórias que o envolvem e uma delas me toca especialmente, porque vivida na Redação da revista "Placar", no domingo em que estreou pelo São Paulo no Campeonato Paulista, em 1985.

A foto da capa o mostrava em movimento e apontando o caminho, comandante. Nos debatíamos em torno da manchete.

"O Rei do Morumbi", sugeriu um editor. "Para quem já é o de Roma, convenhamos, é pouco", reagi. "Sob as asas de Falcão", propôs outro editor, inspirado pela imagem do líder, até que se ouviu uma voz infantil: "São Paulo Roberto Falcão".

Era o óbvio, aquela obviedade que faz a diferença.

A sugestão partira de um garoto de 12 anos que tinha o hábito de ir comigo à Redação aos domingos, meu filho mais velho, André, que não por acaso também virou jornalista.

Falcão gosta desta história e faço dela o meu presente nesta data especial.

Porque, como diria Fiore Giglioti, o histórico narrador da rádio Bandeirantes, "o tempo passa".

Passa mesmo, mas certos craques ficam para sempre, como Falcão, que pode até achar que uma parte dele morreu, algo que suas fotos, vídeos, registros escritos e falados provam exaustivamente não ser verdade.

Generoso, Falcão hospedou em seu hotel o poeta Mario Quintana perto do fim, já quase passarinho --e certo de que "eles passarão".

Falcão, não. Porque também passarinho. Passarinho e passarão.


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