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Juca Kfouri

Um balanço do Brasileirão

E se o Cruzeiro, agora, tivesse que enfrentar o São Paulo? Seria justo, com 22 pontos na frente dele?

COM O CAMPEÃO e o lanterna definidos, o Brasileirão começa a acabar e a reavivar críticas aos pontos corridos, pela antecedência com que definiu o Cruzeiro como maioral.

É claro que os cruzeirenses não concordam. Mas, e os outros, a maioria?

Os outros que tratem de ter competência para se estabelecer. E ponto.

Há aperfeiçoamentos, talvez, a serem feitos, no rebaixamento. Ou diminuindo para três os que caem ou estabelecendo uma repescagem entre o primeiro dos últimos e o antepenúltimo da Série A e o terceiro e quarto colocados da Série B.

Mas fato de os times do eixo Rio-São Paulo, com exceção do Botafogo, terem feito más campanhas neste ano não deve engrossar argumentos revisionistas, ao contrário.

É saudabilíssimo ver o Cruzeiro novamente campeão em pontos corridos, assim como é ver o Atlético Paranaense, o Goiás e o Vitória nas primeiras colocações, ou o Grêmio, que não chega a ser novidade.

Os mineiros quebram uma hegemonia que completaria 10 anos nesta temporada, com nove títulos dividos pelo eixo Rio-São Paulo --três vezes o São Paulo, duas o Corinthians e o Fluminense, uma o Santos e o Flamengo.

Não é apenas bom que isso aconteça. É muito bom.

Imagine a velha fórmula, que classificava oito times para decidir em mata-mata. Hoje, o Cruzeiro, com 22 pontos a mais que o São Paulo, o enfrentaria em dois jogos.

Uma derrota no Morumbi por um gol, um empate no Mineirão, e pronto! Cairia fora.

O próprio São Paulo, em 2002, último ano em que o campeonato foi disputado assim, sentiu na carne a injustiça, ao ser derrotado na Vila Belmiro e não conseguir virar no Morumbi.

Então, em 25 jogos em turno único, o tricolor acabara o torneio com 13 pontos de vantagem sobre o alvinegro praiano.

Também o São Paulo se beneficiou, em 1977, de regulamento que mandava a meritocracia a escanteio, ao ser campeão com 10 pontos a menos que o Atlético Mineiro invicto em 21 jogos --e nos pênaltis.

O primeiro título brasileiro do Corinthians, em 1990, consagrou nova injustiça. Com pior campanha na primeira fase que os sete outros finalistas, eliminou os três que lhe couberam --Atlético Mineiro, Bahia e São Paulo-- sempre vencendo em casa o jogo de ida e empatando o de volta no Mineirão e na Fonte Nova, embora vencendo os dois derradeiros jogos no Morumbi.

Tinha mais graça?

No fim, sim, até tinha, mas diante dos altos investimentos necessários para manter bons times hoje em dia, melhor deixar a graça para o circo e tratar o futebol com um mínimo de justiça, coisa que as arbitragens costumam agredir dado o conservadorismo que ainda impede o auxílio eletrônico.

Viva o Brasileirão em pontos corridos! Viva o mata-mata nos demais! E vida longa ao belo time do Cruzeiro!


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