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Juca Kfouri

Ser ou não ser tricampeão

O rigor com a história passa por não engolir revisionismos ditados por interesses menores e suspeitos

NÃO CONSIDERAR o Cruzeiro como tricampeão do Campeonato Brasileiro não o desmerece em nada, ao contrário, distingue e qualifica a Taça Brasil de 1966.

Considero que o Campeonato Brasileiro passou a ser disputado em 1967, sob o nome de Taça de Prata, Robertão, o nome é o que menos importa, o conceito é que vale.

E o conceito é claro: foram campeonatos que reuniram os melhores times do país, como, depois, a Copa União e o Torneio João Havelange.

Daí ser fácil reconhecer como campeões brasileiros daqueles anos de Robertão o Palmeiras, duas vezes, o Santos, e o Fluminense.

A Taça Brasil reunia os campeões estaduais e parece óbvio que o campeão do Piauí, com todo respeito, não era melhor que o vice de Minas, o terceiro do Rio, o quarto de São Paulo e assim por diante.

A Taça Brasil vencida pelo Cruzeiro, porém, e por contraditório que pareça, teve até mais importância em sua história que o bicampeonato brasileiro 2003/13, pelo simples motivo de ter revelado ao mundo um esquadrão que provavelmente jamais se repetirá, com dois gênios da estirpe de Tostão e Dirceu Lopes, além de coadjuvantes que seriam astros em quaisquer outros times.

Além do mais, desbancar o Santos de Pelé, em dois jogos, com direito a golear no Mineirão (6 a 2) e virar de 0 a 2 para 3 a 2 no Pacaembu é tão histórico que mudou o futebol nacional.

A unificação dos títulos foi jogada política da CBF em adiantado estado de apodrecimento e ato pusilânime de cartola em situação terminal. Tanto que nem a canetada o salvou.

Como diz o jornalista e pesquisador Celso Unzelte, o fato de d. Pedro 1º e d. Pedro 2º terem sido os homens mais poderosos do Brasil no tempo do Império não fez deles, depois da proclamação da República, presidentes do país. Eles foram e continuam a ser imperadores.

O Cruzeiro tinha o melhor time do Brasil em 1966, extraordinário campeão da Taça Brasil, com a mesma importância, ou até mais, à época, do atual Campeonato Brasileiro. Mas não foi, então, campeão brasileiro.

Simplesmente porque não havia Campeonato Brasileiro,

Explico melhor: o Corinthians é, segundo a Fifa, o primeiro campeão mundial de clubes sob sua chancela.

Mas o título ganho pelo Boca Juniors, no mesmo ano de 2000, sob o nome oficial de Copa Intercontinental, era mais importante.

E atenção bairristas que por imaginar que todos sejam iguais reduzem divergências a bairrismos; atenção fanáticos que julgam os outros pelo time do coração e desqualificam as discordâncias pela rivalidade: sou brasileiro, não argentino, e torço pelo Corinthians, não pelo Boca Juniors.

BOM SENSO

Repita-se o alerta: "Quem inviabiliza a revolução pacífica torna inadiável a violenta", disse John Kennedy.


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