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Juca Kfouri

Estar com a Macaca

De repente, não mais, a Ponte Preta virou o time de todos. Menos dos são-paulinos e dos bugrinos

O FUTEBOL reservou aos paulistas, nesta temporada frustrante, um fim de ano empolgante.

A Copa Sul-Americana assumiu o contorno de uma jornada épica depois que a Ponte Preta, a Macaca para os íntimos, repetiu com juros, no Morumbi lotado, a epopeia que vivera em Buenos Aires contra o Velez Sarsfield.

Mais uma vez o time campineiro está a poucos passos da glória que persegue há mais de 113 anos.

O passo anterior, gigantesco, deu-se no mesmo Morumbi onde por três vezes foi obrigada a ver seus sonhos desvanecerem em decisões estaduais quando estas eram o que de melhor havia para sair da fila, em 1977 e 1979, contra o Corinthians, e em 1981, contra o São Paulo.

Agora será em Mogi, provavelmente invadida pelos campineiros dispostos a transformá-la numa Campinas Mirim.

Tudo pode acontecer, até mesmo uma nova decepção. Porque se será surpreendente, e épico, ver o São Paulo sair classificado do embate, não foi menos surpreendente o 3 a 1 da última quarta-feira.

Difícil encontrar quem não esteja torcendo pela Macaca com roupa de zebra.

Exceção feita à multidão tricolor e aos alviverdes bugrinos, porque é só o que resta aos torcedores do Guarani, o interior em peso, corintianos, palmeirenses e santistas estão fechados com a Ponte. Por um lado simplesmente para ver a eliminação do rival, por outro comovidos com o novo desafio ao ponte-pretanos, além de injuriados pelo fato de o São Paulo ter feito valer o veto ao Moisés Lucarelli, direito que o regulamento garante.

Mas que pegou mal por macular o espírito que deveria prevalecer no mundo ideal, o esportivo, ao menos quando é de esporte que se trata.

Pior ainda por ter o São Paulo anunciado que exerceria novamente seu poder de veto na final, caso viesse a ser contra os paraguaios do Libertad, cujo estádio também não comporta os 20 mil torcedores que o regulamento da Conmebol exige. Soou arrogante e pretensioso, como se a semifinal fosse mera formalidade.

Como se vê, não era, assim como o jogo da volta está longe de ser.

Enfim, estar com a Macaca nestes dias é reviver a velha mania de torcer pelo mais fraco, pelo mais simpático aos olhos da maioria não são-paulina ou bugrina.

Caberá ao Soberano jogar contra tudo e contra todos (quase todos, porque com apoio dos do Guarani), sentimento que, se bem trabalhado, pode surtir o mesmo efeito de quem trabalha bem o de menosprezo ou desrespeito.

A Ponte Preta deu uma aula deste segundo quesito no Morumbi. Resta saber como o São Paulo tratará o primeiro.

Seja como for, a noite da próxima quarta-feira será dessas para não se perder, ainda mais que, concomitantemente, o Flamengo estará bem perto de se sagrar tricampeão da Copa do Brasil no Maracanã tomado.


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