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Juca Kfouri

Por que saiu, saiu por quê?

A estranheza é ampla, geral e irrestrita; querido e querendo, por que raios Tite não ficou no Corinthians?

A PERGUNTA permanece depois das cenas na despedida da Fiel no Pacaembu: se Tite é tão amado pela torcida e pela diretoria, e se deu sinais de que ficaria, por que está indo embora?

A resposta é menos misteriosa do que parece, embora nenhuma das partes queira dá-la francamente.

Teorias proliferam e há quem diga que a separação soa como férias conjugais.

Pode ser, embora sem ter prazo e desafiando a tese de que não se deve voltar ao lugar em que se foi tão feliz.

Tite sai apenas com palavras doces para não estragar os momentos inéditos que viveu no adeus. Deixa portas escancaradas como o melhor técnico da história corintiana.

A diretoria faz igual e esconde desconfiar de que Tite, por lealdades naturalmente estabelecidas com o elenco, deixaria de fazer a reformulação necessária.

E a torcida, verdadeiramente grata, deixa de cobrar pela má temporada no segundo semestre.

Se Tite ficasse, teria o respaldo da direção e o coração atendido, mas não a paciência da Fiel. Simples assim, mesmo que para Mano Menezes nada venha a ser tão óbvio.

Ele acabou despachado pela CBF quando dava sinais de ter encontrado o caminho, mas ainda sem resultados expressivos. Diante da rapidez com que Felipão os obteve, há que se reconhecer o acerto da medida.

Por outro lado, despachou o Flamengo com a mesma sem cerimônia e viu seu substituto obter o sucesso que revelou ser incapaz. Some-se o passado recente ao distante.

A "Batalha dos Aflitos" deu-lhe o crédito de que precisava para não retornar ao interior gaúcho, mesmo que o jogo tenha sido um absurdo, porque até o presidente gremista invadiu o gramado, razão suficiente, além dos atos de indisciplina dos tricolores, para ser encerrado com a subida do Náutico.

Depois, sim, Mano levou o medíocre time gremista a ser vice da Libertadores.

Já no Corinthians, por timidez, comandou a perda da Copa do Brasil para o Sport, para se redimir a vencê-la no ano seguinte, contra o Inter, nos últimos suspiros de Ronaldo.

O excesso de prudência o levou ainda à eliminação na Libertadores numa disputa que esteve fácil com o Flamengo, assim como deixou o ouro olímpico escapar graças às peraltices mexicanas.

Daí voltar ao Corinthians com mais interrogações que respostas e sob a exigência de mostrar resultados.

Mano estava, um ano atrás, num degrau acima de Tite. Hoje está, no mínimo, dois abaixo.

Como fará para subi-los é o seu desafio. Que ele tem inteligência para conseguir é claro. Resta saber se terá competência.

A verdadeira pergunta é: quanto tempo levará para os torcedores, que levaram cartazes com os dizeres "Até a volta, Tite", exigirem que seja breve?

Porque a relação foi eterna enquanto durou.


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