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Juca Kfouri

A cueca de Neymar

Cadê os limites? Cada vez mais o dinheirismo invade áreas antes consideradas sagradas

ERA SÓ o que faltava. No mundo dos popstars em que se transformaram os jogadores de futebol, uma das estrelas exagera e mostra por cinco vezes a marca de sua cueca. Inútil tentar dizer que não foi de propósito porque se o marketing não conhece limites a burrice humana tem os seus.

Ninguém com dois neurônios acredita que tenha sido obra do acaso.

Pense em Tostão mostrando sua roupa de baixo. Não, não vá tão longe. Pense em Lionel Messi.

Neymar tem garantidas não só a riqueza dos que o geraram como dos que já gerou e vier a gerar.

Mesmo assim, topou confundir alhos com bugalhos, esquecido de que, no gramado, seu ofício deveria ser só seu ofício, o de jogar futebol.

Mas, não. Deixemos para trás as polêmicas antigas sobre as placas de propaganda nos estádios ou, mais modernamente, mas nem tanto, a dos patrocínios nas camisas, práticas que escandalizaram tanta gente boa, embora impostas pelas necessidades do grande negócio do esporte na indústria do entretenimento.

Não se trata de diabolizar o ex-santista, já suficientemente envolvido numa transação nebulosa com o Barcelona, o clube que o contratou antes de tê-lo como adversário numa decisão de título mundial.

Trata-se apenas de discutir limites, de coibir exageros, como os que descredibilizam a atividade jornalística, infestada por garotos-propaganda.

Ainda se fosse para garantir o prato de comida de todos os dias ou o leite das crianças, vá lá.

A ninguém seria dado o direito de palpitar na vida dos outros, porque cada um sabe onde o calo aperta.

Precisar Neymar certamente não precisa. Do mesmo modo em que os veículos de imprensa têm seus espaços apropriados para mensagens comerciais, sem os quais não sobrevivem, o craque já se ocupa o bastante com as campanhas publicitárias que protagoniza.

Talvez ele não saiba, mas em 1982, a maravilhosa seleção brasileira derrotada na Copa da Espanha viveu a estranheza de ver o ponta-esquerda Éder ser acusado de ganhar para correr em direção a uma determinada placa de propaganda quando comemorasse seus gols, o que o teria levado a não passar bolas para companheiros mais bem colocados, na ganância mais dos dólares que pelos gols.

Não, Neymar não fez isso nem passou perto, em gestos até naturais. No entanto, parece óbvio que entrou em campo preocupado com algo mais que jogar, por si só um pecado.

Ainda venial, com o risco de passar a ser mortal se levado adiante. Ainda mais na Copa do Mundo.

SONHO

E se Marco Polo Del Nero acordar em 1º de janeiro de 2015 resolvido a entrar para a história do futebol brasileiro e fazer só o óbvio, como propõe o Bom Senso e o projeto de lei que tramita no Congresso Nacional?

Juro que passaria a dormir o sono dos satisfeitos.


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