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Juca Kfouri

Brasileirão sem brilho

O campeonato de 2014 começa com a concorrência da Copa no Brasil e com nossos times enfraquecidos

QUE BRASILEIRÃO teremos?

Jamais vivemos um recebendo a Copa, o que justifica a pergunta.

Que efeitos a Copa terá? Sabe-se que interromperá o torneio, o que não é novidade no país que não obedece ao calendário mundial.

Se a seleção ganhar o hexacampeonato será motivo para aumentar o interesse pela competição entre os maiorais ou, ao contrário, nos tornará enfarados diante de jogos sem nossos campeões?

E se a seleção perder? Dane-se a Copa porque gostamos mesmo é dos nossos times ou nos afastaremos porque convencidos de que deixamos de ser os bons?

Quantos craques, aqueles com C maiúsculo, desfilarão em nosso campeonato? Quantos tiram o torcedor de casa para vê-los?

A resposta é simples e assustadora, a menos que se considere que Fred seja da estirpe de Tostão, Romário, Ronaldo, ou de Reinaldo e Careca: nenhum!

Outra coisa certa é a de que teremos um torneio equilibrado, sem favoritos, só com alguns mais candidatos que outros à degola.

É verdade que o último campeão está praticamente o mesmo, embora ameaçado de cair nas oitavas da Libertadores, no Paraguai, que não tem exatamente um futebol cativante.

Também é fato que o campeão continental está entre os 20 participantes, mas com Ronaldinho, que poderia ser o craque, de crista baixa pela ausência na Copa.

Quem aposta nos paulistas? A turma de Itu? Tem razão José Trajano ao dizer que não põe suas fichas em nenhum deles ao mesmo tempo em que põe em todos, porque vai saber que campeonato será este antes ou depois da Copa.

O que até poderia ser um bom sinal, mas nos faltam times como o Bayern Munique e sobram os que equivalem, para efeito de raciocínio, ao Elche.

Vivemos no fundo do poço, com a sensação esquisita de que ganhar a Copa é mais fácil que ser campeão brasileiro, ou apontar quem possa vir a ser.

Veremos uma porção de times fora de suas cidades porque os estádios estarão por conta da Fifa, além das dificuldades de obter patrocínios porque a Copa os consome e da insegurança jurídica.

Quadro que lembra a Itália em 1990, que amargou dois campeonatos antes de sua Copa em estádios sem capacidade plena por causa das reformas e com sua seleção eliminada nas semifinais.

O que levou o canastrão Silvio Berlusconi, dono do Milan, a ter razão pelo menos uma vez na vida, quando se queixou em entrevista à revista semanal "Panorama": "A Fifa veio aqui, esvaziou nossos estádios, expôs todos os jogadores do meu time, os italianos e os holandeses (Rijkaard, Gullit e Van Basten), nossa seleção e a da Holanda fracassaram, e agora a Fifa me diz para eu salvar o futebol italiano na temporada que começa amanhã".

Flamengo e Corinthians salvarão o Brasileirão? Ou Pato e Ganso ressuscitados? Ou não?


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