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Juca Kfouri

Salve, Pep!

Guardiola gosta tanto de futebol que quis Cristiano Ronaldo como rival; Mourinho gosta é de xadrez

QUE ME perdoem os pragmáticos, a quem respeito, e pelos quais, principalmente os mais próximos, tenho carinho. Mas para quem se preparou, anteontem e ontem, para ver 180 minutos de futebol, os primeiros 90 foram um porre.

Culpa de José Mourinho, que levou o Chelsea a Madrid para jogar xadrez. Não discuto as qualidades do português nem seu currículo vencedor. Também não brigo com os fatos, tão óbvios os resultados obtidos, entre estes o mais recente, o frustrante, para quem gosta de futebol, 0 a 0 contra o Atlético de Madri.

Murrinha, Mourinho aderiu ao futebol de resultados e conseguiu irritar, além dos adversários, os decepcionados apaixonados pelo jogo, cujas expectativas foram desapontadas na mesma proporção.

Quando até Muricy Ramalho parece disposto a rever seus conceitos resumidos na infeliz frase "quem quer espetáculo que vá ao teatro", Mourinho constrange a arte em nome da fria eficácia de um 0 a 0 sonolento.

Que diferença para Pep Guardiola!

Mil vezes perder como Guardiola perdeu para o Real, fruto do primeiro lance de Cristiano Ronaldo, que era dúvida e que o treinador catalão disse, antes do clássico com seu Bayern de Munique, preferir ver em campo.

Até ali, com menos de 18 minutos de jogo, só os alemães jogavam, para serem feridos pelo contra-ataque puxado pelo craque português, patrício de Mourinho, mas adepto da beleza, que não é inimiga da eficiência. Benzema fez o gol.

O espetáculo que não se viu no Vicente Calderón apareceu no Santiago Bernabeu.

Porque, justiça se faça, Carlo Ancelotti também gosta de futebol e pôs seu time, mesmo com apenas 25% de posse de bola na altura do 35º minuto, em busca do jogo vertical, com a mira no gol. Aliás, o italiano é tão adepto do jogo bonito que fez de Pepe um zagueiro que passou a chutar só a bola.

O esforço da defesa merengue para evitar o empate vermelho era humano, sobre-humano até, não de peças como as de uma máquina. Tanto que Cristiano Ronaldo e Di Maria tiveram o segundo gol à disposição e desperdiçaram, surpreendentemente, ainda no primeiro tempo.

A final antecipada da Liga dos Campeões, com a vantagem de ser em dois jogos, não tinha chegado ainda ao fim dos primeiros 45 minutos e já compensava a frustração imposta por Mourinho e seu aborrecido pragmatismo.

Se Scolari e Parreira perdessem tempo lendo tamanhas sandices certamente pensariam que ou o autor enlouqueceu ou lamentariam não tê-lo como rival, tão fácil seria derrotá-lo, romântico incurável.

Pode ser, mas o time alemão só não empatou o belo jogo no fim porque Casillas fez uma defesaça em chute de Gotze.

Pep Guardiola perdeu pela primeira vez no Santiago Bernabeu, mas está vivo. Mais: não mata o futebol. Viva ele!


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