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Juca Kfouri

Castigo majestoso

O 1 a 1 de São Paulo e Corinthians teve mais responsabilidade de Mano Menezes que de Muricy

O MAESTRO que todos querem ver em Paulo Henrique Ganso apareceu em Barueri.

O meia jogou ontem como precisa jogar sempre: apareceu pela direita, pela esquerda, pelo meio, chutou de fora da área para a única defesa de Cássio no primeiro tempo e deu um passe maravilhoso para o São Paulo empatar um clássico que disputou para vencer.

Quem jogou para empatar foi o Corinthians.

Jogadas agudas o Alvinegro teve duas, ambas com a participação de seu melhor jogador na partida, o peruano Guerrero, que obrigou Rogério Ceni a fazer um milagre no primeiro tempo e deu o gol para Fagner no começo do segundo, depois de jogada de Romarinho.

Se o São Paulo teve a bola, a insistência e o convite a um mínimo de espetáculo, o Corinthians parecia disposto só a manter a invencibilidade de sua defesa, sem a menor preocupação em criar a não ser num contra-ataque.

As contas na cabeça de Mano são óbvias: ganhar pontos como mandante e empatar como visitante. O título, com 72 pontos, é possível. Em 2011, com Tite, veio com 71.

Muricy Ramalho indica não pensar mais só nisso, embora agradecerá o título, venha como vier.

Mas desde que levou a traulitada que levou do Barcelona, dá sinais de querer mais de um time de futebol, além do simples resultado.

Talvez por querer honrar o que aprendeu com seu mestre Telê Santana, a quem é frequentemente comparado, mais pelos vínculos com o São Paulo do que pelo arrojo. Talvez por estar vendo o encerramento da carreira no fim do túnel e querer deixar contribuição maior até em homenagem ao jogador técnico e habilidoso que foi.

Ou, ainda, talvez por perceber que um profissional bem pago deve se preocupar em ajudar quem lhe paga o salário, coisa que um Majestoso com apenas 14 mil torcedores está longe de conseguir.

Ganso fará bem em ouvi-lo e em tratar de jogar 90 minutos, e não se limitar aos lampejos de que é capaz.

Quem sabe se assim, na Rússia, tenha a oportunidade de jogar a Copa do Mundo que pôs a perder no Brasil pelo comportamento irregular desde que brilhou em 2010.

O gol de Luis Fabiano remediou em parte a injustiça que seria uma vitória corintiana. Mais: contribuiu para premiar quem quis mostrar algo agradável além de castigar a postura mesquinha de reduzir o futebol a uma sucessão sem brilho de vitórias por 1 a 0 e agarrar-se a estas como se fossem sinal de esperteza.

O Mano Menezes que discursava em nome do resgaste do verdadeiro futebol brasileiro quando dirigiu a seleção não existe mais, regrediu, voltou a ser aquele que apenas cumpriu com sua obrigação ao devolver Grêmio e Corinthians à Série A, além de, no último suspiro de Ronaldo, ganhar uma Copa do Brasil e um Paulistinha invicto, há cinco anos.


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