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Juca Kfouri

Batismo de água

Tudo que não chovia em São Paulo nos últimos dias resolveu chover na abertura do estádio de São Jorge

O OLHAR da cabeça deveria ser no jogo. Ou no quanto falta para abrigar a abertura da Copa. E falta muito, tanto que é preciso ser um otimista inveterado para acreditar que tudo estará pronto quando as seleções do Brasil e da Croácia entrarem em campo para, aí sim, jogar o jogo que importa.

Ontem não.

Porque ontem o olhar foi o do coração. Por mais que dividido por um certo sentimento de culpa, como se deixar o Pacaembu de lado fosse uma traição. Deixar de lado, porque abandonar, jamais!

Antes mesmo de Corinthians e Figueirense pisarem no gramado aparentemente impecável do estádio corintiano a festa da Fiel já era daquelas de fazer quem morreu viver e quem está vivo morrer de emoção.

A acústica que foi prometida supera a expectativa e o coro do "bando de louco" entoado pela massa repercute no fundo d'alma.

Difícil dizer que efeito terá nos adversários quando precisar, mas não precisa ser muito inteligente para avaliá-lo como combustível dos donos do pedaço.

Pedaço que dava a boas vindas nos telões em nome, é claro, da Arena Corinthians. Discussão que dona ombudsman Vera Guimarães Martins tratou muito bem o que permite que aqui, pelo menos agora, aflore apenas o sentimento.

Quem veio de metrô não só não se queixou como, ao contrário, elogiou --menos de 20 minutos entre o centro e Itaquera.

Itaquera que foi palco de remoções desumanas e incompatíveis com a democracia, retrato que emoção alguma pode omitir.

Quem esteve no estádio para curtir e torcer não pareceu ter se incomodado com o que faltava para o padrão Fifa, mais interessado no padrão Timão, a ponto de encobrir a metade final do Hino Nacional com seu grito de guerra. Educado não foi, é claro, mas impressionou.

O jogo, ah, sim, tinha jogo, nem por isso. O lanterninha Figueirense conseguia impedir que o Corinthians o incomodasse e não incomodava, num jogo de segunda em palco de primeira.

Quem faria o primeiro gol? A resposta ficaria para o segundo tempo.

Só que chovia bastante como há tempos não acontecia na cidade e, um pouco, até na parte coberta, da imprensa. São Pedro, talvez com ciúme de São Jorge, fez tabelinha com São Paulo e molhou impiedosamente o torcedor como se cada um se chamasse Blatter ou Valcke.

Obviamente o primeiro gol foi dos visitantes, de Giovanni Augusto, nem bem começou o segundo tempo.

Água no chope, era só o que faltava. Afinal, casa linda, com todo conforto, mas, sempre, maloqueiro e sofredor, graças a Deus, pensou aquele corintiano provado por anos de jejum diante do banquete.

Como era de se esperar, o Corinthians foi à frente, perdeu dois gols incríveis, a invencibilidade e acabou com a virgindade do rival.

Na sua casa, recebeu bem o visitante. Consola?


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