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Juca Kfouri

Sinal vermelho

As duas derrotas finais da seleção na Copa significaram muito mais que os estonteantes 10 gols

PASSADA A ANESTESIA, aberta a ferida, o diagnóstico é certeiro e terrível: a luz que imaginávamos amarela era vermelha e vinha de um trem em alta velocidade, na contramão.

Velocidade ainda maior que a dos quatro gols da blitz alemã que nos mostrou um feio horizonte, pisoteado sem piedade pelos tamancos holandeses em seguida.

Não sobrou pedra sobre pedra e logo mais até a argentária CBF descobrirá que sua festa está por um fio. Porque o banco não tem reservas à altura. Porque cerveja sem álcool é pior que 0 a 0 e ninguém mais acredita na cevada da Granja Comary. Porque, além de o seguro ter morrido de velho, cada gol sofrido nas duas partidas finais da Copa do Mundo significarem apenas um automóvel a menos na congestionada estrada do futuro.

É possível até que a TV se dê conta de que já não vale tanto a pena investir na baixa qualidade deste futebol que trocou o hexa por sete palmos e apostou em Dunga --a volta do desafeto de quatro anos atrás em que se pode cuspir como se cuspiu em Felipão, que nem desafeto era.

Erramos todos ao notar que nosso campeonato nacional se nivelava cada vez mais por baixo, mas sem nos dar conta do que representava, por mais que um sete um parecesse loucura, além de estelionato.

O Campeonato Brasileiro é tão ruim como os cartolas, como os técnicos que não os enfrentam e os criticam só em off --até porque ganham muito mais do que merecem-- e como os jogadores que se acomodam na mesmice, sem perceber que vão no embrulho.

O resultado de um futebol de quinta é o deserto nas arquibancadas.

Cadê coragem para mudar?

Fosse eu candidato à presidência da República (jamais serei, não se preocupe) e diria desde já que em caso de vitória nomearia Paulo André como ministro do Esporte, para botar imediatamente em prática o ideário do Bom Senso FC e para quebrar a estrutura que redunda, inevitavelmente, nesta cartolagem reacionária, corrupta e corruptora, com as exceções de praxe.

Entre os dois candidatos com maiores chances, no entanto, o que vemos?

Se Dilma Rousseff acena forte e saudavelmente para o BSFC, nada indica que, se reeleita, tirará o esporte das mãos da vanguarda do atraso do PCdoB.

Já o candidato tucano não só é unha e carne com Ricardo Teixeira como fez questão de homenagear José Maria Marin com uma placa no novo Mineirão --mais do mesmo, portanto.

Nem Pep Guardiola seria solução se mera substituição, pensando só na próxima Copa do Mundo.

Mexer no futebol brasileiro é tentar mudar a instituição mais resistente ao novo que temos no país, o que há de mais refratário a quaisquer novidades, dominado por gente que se contenta em raspar o tacho e nem liga se matar a galinha dos ovos de ouro.


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