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Juca Kfouri

Ei, Marin, e o 7 a 1?

Lembraremos sempre da semifinal no Mineirão; porque os cartolas se acham mais espertos do que são

ALOIS ALZHEIMER era alemão, como Müller, Klose, Kroos, Khedira e Schürrle.

Não era jogador de futebol como os autores dos sete gols alemães na semifinal da Copa do Mundo no Brasil. Era psiquiatra e descobridor da terrível doença neurodegenerativa, causadora do apagão (lembra de já ter ouvido o termo recentemente?) da memória. A doença tem o nome de quem a identificou pela primeira vez e a cartolagem da CBF adoraria vê-la contaminar o Brasil para o país esquecer a goleada.

Até convocar Dunga a pretensa esperteza da dupla Marin$Nero convocou, certa de despertar rejeição e eventuais escândalos para sair de cena de fininho.

Pois não sairá.

Se Marin foi praticamente invisível durante a Copa, apesar de trajar chamativa gravata amarela --imitação de Paulo Machado de Carvalho e sua gravata marrom do bicampeonato mundial--, nem por isso assim permanecerá no pós-Copa. Nem ele nem Nero.

A goleada germânica impediu a criação de nova história sobre gravatas e superstições e permitiu apontar os responsáveis pela humilhação.

Marin prometeu ir ao inferno em caso de derrota e não cumpriu.

Cumprirá a nós, sobreviventes e testemunhas da catástrofe, lembrar sempre dele e de seu parceiro Nero --este, não satisfeito em reduzir o futebol do interior paulista a cinzas vai em busca de botar fogo também no futebol brasileiro.

Pois veja você, a presidência da República tem ouvido os jogadores e os clubes sobre a reforma de nosso futebol e os mandachuvas da CBF ficaram de fora, porque presenças constrangedoras no Palácio do Planalto.

Ambos, filhotes da ditadura, não podem ser esquecidos, além, é claro, do 7 a 1, por mais manobras de frágil maquiavelismo arquitetadas pela dupla, uma dupla a ser invertida em abril de 2015, para Nero$Marin.

Tenha qualquer nome, enquanto perdurar, com a cumplicidade da cartolagem dos clubes, será denunciada pela lembrança do dia 8 de julho de 2014.

Trata-se de uma dupla nefasta, tanto quanto Havelange/Teixeira, fruto de estrutura doente, apodrecida, longe de merecer ser irrigada por legislação complacente, perpetuadora dos privilégios e da corrupção. Legislação reivindicada por clubes em busca da manutenção da impunidade, inimiga do interesse público e do Estado brasileiro.

Entre o chororô da cartolagem e o miserê dos jogadores, entre os golpes dos engravatados e as corretas reivindicações dos de chuteira, não cabe dúvida, ou não pode caber dúvida para o governo federal.

A hora é agora e se for para ser por meio de Medida Provisória haverá de contemplar o pedido dos atletas, não só por serem eles os atores do espetáculo como por serem os acolhidos pelos torcedores.

Jogadores e torcedores, a dupla, enfim, a ser atendida.


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