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Juca Kfouri

O grupo de Dunga

Mais do que nunca a seleção perdeu o respeito do mundo e o carinho do torcedor; virou mote de piada

Imagine este time para enfrentar a Colômbia no dia 5 de setembro, em Miami: Jefferson, Maicon, Miranda, David Luiz, Filipe Luís, Luiz Gustavo, Elias, Éverton Ribeiro, Philippe Coutinho, Ricardo Goulart e Neymar.

Convenha que são nove bons jogadores, um craque e um candidato a craque, Philippe Coutinho, 22 anos, nosso novo PC, chamado de Pequeno Mágico, que brilha no meio de campo do Liverpool. A pergunta é: formarão um time?

Porque também os 11 que levaram de sete eram bons jogadores e não formaram um time que fosse capaz de enamorar a torcida nem mesmo enquanto ganhou.

O discurso de Dunga, verdadeiro, ao contrário do feito pelo presidente da CBF, bateu na tecla da reconquista da torcida, como em 2006, repetindo o de Felipão em 2012. Prova de que, ao contrário do que disse o cartola ao anunciar a saída do Gol e a entrada do Chevette, a confiança anda em baixa.

Verdadeiro também porque em torno da necessidade de jogar coletivamente, valorizando a posse de bola, o passe e o gol --aqui como os dos alemães, com bola na rede, não o de quatro rodas.

Curioso que Dunga repete, também, o fim do trabalho de Mano Menezes, ao abrir mão do centroavante de referência, embora ainda insista num tipo como Hulk, opção de força decepcionante na Copa, em vez de tentar o refinamento de Paulo Henrique Ganso, cujo recente progresso fazia por merecer o estímulo.

Fique bem claro, em nome da coerência, que a seleção não é o meio de recuperar o desmoralizado futebol brasileiro, apesar de ser a missão do técnico, sem preparo intelectual para tanto --e aqui a referência é à sua prática sobre o jogo e não à língua portuguesa.

Não se descarte a possibilidade de Fernandinho e Ramires, outras duas frustrações na Copa, se recuperarem como fruto do insucesso, porque são muitos os exemplos para comprovar a tese.

Dunga se moverá em terreno movediço.

A começar em que houve mais protestos do que festa entre cruzeirenses e corintianos pelos desfalques causados pela CBF na campanha do Brasileirão, o que apenas reforça a sabida irracionalidade de um calendário que não para nas datas Fifa.

Daí também a nova convocação não despertar maiores polêmicas, só queixas, diante do pouco apreço pela camisa amarela que vive há anos em busca de retomar seus vínculos com a torcida, reatamento que se deu na Copa das Confederações, mas como ilusão.

O recomeço do trabalho de Dunga se dá em meio à compreensível desconfiança generalizada e nem poderia ser diferente. Sua missão, sem trocadilho, é gigantesca e duvidar de que esteja à altura não é pessimismo, mas mera constatação.

Ele já sai perdendo de 1 a 0 (8 a 1!) porque sob o comando de quem pensa mais em patrocínios do que em futebol.


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