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Juca Kfouri

A prova dos noves

Da falta de referência no ataque da seleção à ausência de justiça na punição ao Grêmio por racismo

Dunga começa no ponto em que Mano Menezes terminou: sem um centroavante como referência.

Desde Gerd Müller, em 1974, discute-se se o centroavante-centroavante é uma peça em extinção, mesmo porque, em 1970, Tostão não era, diferentemente do alemão.

Mas, em 1978, Mario Kempes era, assim como Paolo Rossi, em 1982, e daí por diante, como Romário em 1994, Ronaldo em 2002 etc.

A conclusão óbvia é que se abre mão do camisa 9 referência quando não se tem ninguém para tanto, menos de ser uma filosofia de jogo.

Felipão achou que Fred poderia ser, mas não foi, como Mano Menezes suspeitava. Dunga mesmo, em 2010, imaginou em Luis Fabiano o jogador capaz de exercer a função e também não foi bem assim.

Não são poucos os exemplos de times campeões sem o centroavante-centroavante. Aliás, são tantos que seria interminável citá-los aqui.

Hoje, melhor dizendo, anteontem, o que vimos em Miami contra a Colômbia foi um ataque brasileiro sem posições fixas, com Diego Tardelli caindo ora por um lado ora por outro, como já faz faz tempo e como Guerrero, mesmo sendo um 9 muito 9, anda fazendo sob o comando de Mano Menezes, mais por decisão dele do que do treinador, é verdade.

Com seis jogadores que foram titulares na Copa do Mundo, o time de Dunga teve a virtude de abandonar a ligação direta e mostrou o velho defeito que só Ganso poderá resolver: nenhuma criatividade no meio.

Com 11 contra 11, a seleção brasileira perdeu dois gols feitos com Oscar e Neymar. Com 11 contra 10, depois que uma bola na mão virou mão na bola, Neymar bateu como se fosse com a mão, ganhou com justiça. E pés no chão.

INJUSTIÇA

No país da impunidade, punições são aclamadas. Ainda mais se em causa que envolve ato repugnante como o racismo.

Sem nenhuma vontade de remar contra a corrente e com o cuidado de não parecer defesa de racista, considero que a punição ao Grêmio não fez sentido.

Nem entrarei no mérito da discussão se o time já estava ou não fora da Copa do Brasil.

Atenho-me ao que tenho lido e ouvido dos juristas que o país respeita, não esta gente que faz parte dos tribunais esportivos. Da direita à esquerda, quase todos eximem o Grêmio depois de o clube ter tomado as providências que deveria tomar.

Mais que excluir o Grêmio, carimbou-se no clube uma mancha indelével e, outra prova da injustiça, foram punidos, também, os torcedores e jogadores negros do Grêmio.

Fosse eu presidente gremista acionaria o STJD por perdas e danos na Justiça de verdade.

Não se acaba com a impunidade cometendo injustiças e é má a ideia de que era preciso fazer qualquer justiça, ainda que não fosse justa.

Pois não era e não foi.


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