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Juca Kfouri

Frustração no basquete

Depois do quinto lugar na Olimpíada, estar entre os quatro na Copa do Mundo valeria como uma medalha

Escrevo frustrado. Duvidei que um dia veria outra vez o basquete brasileiro em alta, entre os principais do mundo. E achei que veria ontem.

Joguei basquete, por cinco anos, no Club Athletico Paulistano. Dois anos na categoria infantil, mais dois no juvenil, um no time principal. Desisti depois de um jogo contra o Corinthians, no ginásio do Jardim América.

Não que sonhasse em ganhar do Corinthians de Wlamir, Amaury, Ubiratã, Rosa Branca, Renê, Peninha, uma constelação. Não sonhava então como não sonho hoje em ver a nossa seleção ganhar de um quinteto americano completo, com todas as feras da NBA.

Mas o jogo contra o Corinthians terminou 135 a 60 --ou 130 a 65, nunca sei ao certo-- e me dei conta de que o jogo alvinegro era diferente do nosso ou, ao menos, do meu. Daí, como diria o Trajano, parei.

Mas guardei para sempre a admiração pelo esporte e alimentei alguma proximidade com os ídolos daquela época, a ponto de ser honrado com a filiação --e até o uniforme!-- da Associação de Veteranos do Basquetebol de São Paulo.

Na Olimpíada de Londres, dois anos atrás, já experimentei uma sensação que havia ficado esquecida nas mãos de Marcel e Oscar. Senti um time com alma e, ao contrário de seu técnico, o argentino Rubén Magnano, fiquei feliz e orgulhoso com o quinto lugar.

A medalha, de bronze, bateu na trave e ficou com a Rússia que, na primeira fase, vencera o time brasileiro por apenas um ponto numa cesta lotérica de três, no segundo derradeiro do jogo.

Foi neste dia, na entrevista coletiva, diante de um Magnano indignado, cuspindo abelha em castelhano, que cai na asneira de dizer-lhe alto e bom som que estava feliz com a ressurreição do basquete brasileiro e queria entender por que ele estava tão bravo. A resposta não foi propriamente uma resposta, foi um pito, sim, um pito: "Porque podríamos ganar!", berrou e bateu na mesa.

Depois, em particular e mais calmo, quase se desculpando porque, afinal, não se grita com um veterano do basquete, explicou que o lance russo final só havia sido possível porque um jogador brasileiro pensou mais em si que no time.

Perdoe-me por tamanha digressão que só a frustração explica. A frustração pelo que acabo de ver: perder da Sérvia era uma óbvia possibilidade, mas não como se perdeu --além do jogo, a cabeça.

Duas faltas técnicas seguidas, típicas de jogadores infantis, levaram o time a ser massacrado por Teodosic e companhia bela, a ponto de tomar 28 pontos de diferença.

Se na Inglaterra o time ficou entre os cinco primeiros e foi bom, agora foi frustrante.

Porque era natural esperar mais desta campanha.

Imagino a raiva de Magnano no terceiro quarto, o do apagão, como no Mineirão...


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