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Juca Kfouri

Até ele, Blatter

À medida que os erros de arbitragem se sucedem mundo afora, o presidente da Fifa muda de opinião

JOSEPH BLATTER, o jurássico cartola que preside a Fifa, se convenceu daquilo que, no mínimo há 20 anos, quem se preocupa com a justiça do resultado de um jogo de futebol defende: é preciso introduzir a tecnologia para dirimir dúvidas durante os 90 minutos de um jogo de futebol.

É claro que sempre haverá quem discorde por supor que a graça do futebol está também nas polêmicas em torno dos apitadores e seus parceiros embandeirados.

Em regra quem pensa assim são os que não investem um tostão no esporte e são contra o sistema de pontos corridos porque, dizem, o futebol não nasceu para ser justo e dane-se a meritocracia em favor do imponderável, do surpreendente etc.

Mas Blatter quer testar já no ano que vem a possibilidade de checar com auxílio de imagens as decisões da arbitragem, concedendo aos técnicos dois desafios por tempo de jogo. Aleluia!

Como era de se esperar já despertou reações contrárias, como a de Mauricio Pochettino, o argentino que dirige o Tottenham Hotspur, de Londres: "Futebol não é basquete, nem vôlei, nem tênis. É um esporte diferente", argumentou como se tivesse descoberto a pólvora.

Os cachorros também são diferentes dos gatos e mesmo assim precisam ir ao veterinário.

Anteontem mesmo vimos o Vasco ser vítima de um gol sem que a bola tivesse ultrapassado a linha fatal, lance que, tivesse acontecido na Copa, teria sido elucidado pelos meios implantados pela Fifa.

O duplo impedimento no gol do Flamengo, o pênalti que Fagner não cometeu, tudo isso poderia ser dirimido em segundos, mais rapidamente que as discussões nos gramados, as quais, com frequência, ainda redundam em expulsões para prejudicar o espetáculo.

Também anteontem vimos a imagem decidir, sem deixar dúvida, o jogo entre Polônia e Brasil no Mundial de vôlei.

Daí damos um salto do futebol ao vôlei, da arbitragem eletrônica aos regulamentos dos campeonatos e constatamos a injustiça de que foi vítima a seleção brasileira comandada por Bernardinho.

Pois o único time invicto, primeiro do grupo, não só não teve nenhum privilégio pela campanha na primeira fase como ainda foi castigado com a mudança de cidade e com a pena de jogar dois dias seguidos contra os anfitriões do campeonato e, de novo, contra os campeões olímpicos russos, rasgando-se o regulamento que impedia a presença dos dois segundos colocados na mesma chave no triangular que define os semifinalistas.

Então você olha para quem preside a Federação Internacional de Vôlei e verifica que lá está, há dois anos, o brasileiro Ary Graça, que caiu em desgraça no Brasil e é desafeto do técnico da seleção.

Ah, como as fórmulas que fogem dos pontos corridos permitem manipulações...


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