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Juca Kfouri

Empates opostos

No Morumbi, o 1 a 1 teve gosto de título. Em Araraquara, o 2 a 2 soou como rebaixamento

SE GUM fosse Gun, alguém diria que a pistola quase matou o Fluminense. Mas Rafael Tolói não permite nem trocadilhos.

O erro do zagueiro do tricolor carioca aconteceu como uma infelicidade de quem faz um Brasileirão exemplar. Já o do defensor do tricolor paulista é imperdoável pela soberba de se permitir perder uma bola que exigia atenção.

Se no primeiro tempo o virtual campeão brasileiro tratou de cozinhar o ímpeto dos donos da casa lotada por mais de 52 mil pagantes, o segundo começou com um castigo que deu alento à metade das Minas Gerais. Por pouco tempo, porém.

Porque aí, perdido por um, perdido por dez, o Fluminense jogou como campeão e amassou o São Paulo até conseguir o empate com Fred.

Mais: convencido de que não havia por que temer o rival, o Flu apertou em busca da vitória que só não veio porque Rogério Ceni, às vésperas de virar quarentão, está mais uma vez em ótima forma.

A maturidade e a frieza do time carioca contrastam com a ansiedade e o nervosismo do Galo, seu único perseguidor. Aliás, se Abel Braga mandasse seu time ganhar mais jogos, ou vencê-los por placares mais dilatados, provavelmente a situação do Flu fosse ainda mais folgada e com uma campanha ainda mais fantástica.

Discutir os méritos do clube que Nelson Rodrigues dizia ser o único tricolor do mundo (os demais seriam só times de três cores...) soa como simples absurdo. Verdade tão verdadeira que não se vê uma expressão dramática nos jogadores, nem mesmo em Gum, tão logo cometeu o erro que poderia ter sido decisivo.

O inverso, por motivos óbvios, acontece com o Palmeiras, como ficou mais uma vez demonstrado no empate em Araraquara, com 13 mil pagantes onde cabem 21 mil.

Dizer que o 2 a 2 foi injusto seria injusto com o Botafogo, que não tem nada a ver com o drama palmeirense. O Glorioso se aproveitou bem de duas falhas de Maurício Ramos e fez seus gols, além de ter criado mais uma chance que Bruno defendeu por milagre.

Mas um Barcos só não faz uma esquadra e todos os gols perdidos pelos alviverdes, seja porque a zaga carioca salvou na linha, seja porque a trave evitou ou Jefferson defendeu, têm explicação nos nervos à flor da pele esmeraldina. Que, para piorar, terá pela frente na próxima rodada a geladeira que começa no seu ex-goleiro, Diego Cavalieri.

Impossível não se comover ou se solidarizar com a dor palmeirense.

Só que em tempos de Enem, a lição é aquela que os alunos relapsos estão cansados de ouvir de seus pais: não adianta estudar para o exame final depois de passar o ano na flauta. Resta esperar que na temporada que vem, a centésima na gloriosa vida palmeirense, uma conquista da Libertadores faça esquecer a humilhação da segunda queda para a segunda divisão.


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